Manifestação deixa Brasília a ferro e fogo
Manifestantes exigem a demissão do presidente Michel Temer, acossado por suspeitas de corrupção.
A batalha campal de quarta-feira à noite levou o pânico à capital brasileira e, além da destruição, deixou pelo menos 49 feridos, oito dos quais polícias.
Manifestantes mascarados e armados com pedras e cocktails molotov invadiram e vandalizaram oito ministérios, três dos quais foram incendiados perante o pânico de milhares de funcionários encurralados. Enquanto uns grupos destruíam salas e atiravam móveis, computadores e até documentos pelas janelas, nas ruas outros grupos usavam esses objetos para erguer barricadas a arder e enfrentarem a polícia, que usou granadas de gás, cavalaria e veículos mas só horas depois conseguiu controlar o tumulto.
Alvo dos protestos, Temer chamou o Exército para restabelecer a ordem, mas quando os militares foram para as ruas a polícia já controlava a situação. Na quinta-feira à tarde, perante a repercussão fortemente negativa da medida, que muitos compararam a uma decisão ditatorial, Temer voltou atrás e revogou a requisição militar.
Aliados do presidente já preparam sucessão
Enquanto publicamente se envolvem em violentas trocas de acusações, nos bastidores, aliados de Temer já iniciaram negociações com a oposição para articular a sucessão do presidente. Estimando que a queda é apenas uma questão de tempo, ambos os lados estão a tentar encontrar uma estratégia comum que permita eleger uma figura consensual, capaz de conduzir o país até às presidenciais de 2018 sem sobressaltos.
A ideia é escolher uma personalidade respeitada nacionalmente e com fácil aceitação à direita e à esquerda. Exatamente por esse perfil, os dois políticos que supostamente estão a articular esse acordo são também os mais cotados para serem escolhidos: Fernando Henrique Cardoso, um moderado respeitado por ambos os lados, e Nelson Jobim, que além de ex-presidente do Supremo Tribunal, foi ministro tanto de Cardoso como de Lula da Silva.
Como Temer já está na segunda metade do mandato, se ele realmente cair não é possível convocar novas eleições, cabendo ao Congresso a escolha do novo presidente. Por isso, a preocupação é escolher uma pessoa facilmente aceite pelos deputados de todos os quadrantes. O acordo prevê igualmente uma saída honrosa para Temer, o qual, no entanto, parece querer manter- -se no cargo a todo o custo.
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