Máquinas novas dão confusão

Problemas técnicos e falta de preparação dos funcionários eleitorais para operar as novas máquinas de voto electrónicas causaram ontem confusão e atrasos na abertura das urnas em centenas de mesas de voto nos EUA, levando, em muitos casos, os responsáveis a recorrer aos velhos boletins de papel para permitir que os eleitores pudessem votar.

08 de novembro de 2006 às 00:00
Máquinas novas dão confusão Foto: Gary Rothstein / Epa
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A confusão instalou-se logo à abertura das urnas em centenas de mesas na Florida, Indiana e Ohio. Em alguns casos as máquinas tiveram problemas de ‘software’, não conseguiram arrancar ou simplesmente bloquearam, perante a impotência dos funcionários eleitorais, muitos dos quais manifestamente não preparados para operar as máquinas. Recorde-se que o voto electrónico foi ontem estreado num terço das mesas de voto a nível nacional.

Os responsáveis pela instalação do sistema minimizaram o problema, considerando as falhas naturais por se tratar da primeira vez, enquanto muitos eleitores se queixavam da complexidade das novas máquinas. “As pessoas estão muito confusas”, admitiu um eleitor do Illinois.

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Por causa destes problemas, muitas assembleias de voto acabaram por recorrer aos tradicionais boletins de voto em papel, o que acabou por provocar alguns atrasos. No condado de Delaware, no Indiana, as autoridades locais recorreram mesmo aos tribunais para prolongar a hora de fecho das urnas devido aos atrasos no arranque da votação.

Houve igualmente confusão em alguns estados devido a discrepâncias nos registos eleitorais e às novas regras que exigem a apresentação de um documento de identificação oficial com fotografia.

DEMOCRATAS AO ATAQUE

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As eleições intercalares de ontem revestiam-se de particular importância face à possibilidade de os democratas conquistarem ambas as câmaras do Congresso. Para isso acontecer precisavam de conquistar 15 lugares na Câmara dos Representantes e seis no Senado, objectivo que as sondagens davam como alcançável apesar de uma ligeira recuperação dos republicanos nos últimos dias da campanha.

BUSH APELOU AO VOTO

O presidente George W. Bush votou pela manhã no quartel dos bombeiros de Crawford, no Texas, e mostrou-se bem-disposto, gracejando com os jornalistas e aproveitando para fazer um derradeiro apelo ao voto. “Não interessa qual é a vossa filiação política, ou sequer se a têm. Façam o vosso dever, votem e façam ouvir a vossa voz”, apelou o presidente, cuja política estava a ser ‘julgada’ nas urnas. Muitos analistas, recorde-se, equiparam estas eleições a um enorme referendo à política de Bush, principalmente no que diz respeito ao Iraque.

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GUIA PARA ENTENDER AS ELEIÇÕES INTERCALARES NORTE-AMERICANAS

- O que está em jogo?

- Foram eleitos os 435 membros do Congresso, 33 dos 100 senadores e 36 governadores. Vários estados realizaram referendos locais.

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- Era esperada uma grande afluência às urnas?

- Nem por isso. As eleições intercalares não costumam tradicionalmente atrair muitos votantes. A afluência não deveria ultrapassar os 40%.

- Podemos esperar controvérsias?

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- Sim, principalmente se ocorrerem vitórias pela margem mínima. Os votos electrónico e por correspondência também podem dar problemas.

- O que pode mudar?

- Se os democratas vencerem são esperadas investigações à guerra no Iraque, aos contratos com empresas privadas e à reacção do governo ao ‘Katrina’.

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- Bush pode ser destituído?

- É pouco provável, apesar de ser esse o desejo secreto de muitos democratas.

Com as sondagens a darem vantagem aos democratas na corrida à Câmara dos Representantes, onde precisavam de somar 15 novos lugares aos 201 que já tinham para dominar aquela câmara, as principais atenções estavam concentradas na luta pelo controlo do Senado, onde os democratas deveriam somar seis lugares para 'roubar' a maioria aos republicanos. Eis alguns dos estados onde a disputa era mais renhida:

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1 - Connecticut

O senador Joe Lieberman apresentou-se como 'democrata independente' depois de ter perdido a corrida à nomeação democrata para o empresário Ned Lamont. As sondagens davam vantagem a Lieberman.

2 - Maryland

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A retirada do democrata Paul Sarbanes, senador durante duas décadas, deixou caminho aberto ao duelo entre o democrata Ben Cardin e o republicano Michael Steele, com uma ligeira vantagem do primeiro nas sondagens.

3 - Missouri

A democrata Claire McCaskill aspira ao ligar do republicano Jim Tallent, numa corrida marcada pelo polémico anúncio do actor Michael J. Fox a favor da investigação com células estaminais.

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4 - Montana

O republicano Conrad Burns partia como favorito para renovar pela quarta vez o seu mandato de senador, mas as suas ligações ao lobista Jack Abramoff, condenado por tráfico de influências, prejudicaram a sua campanha em benefício do democrata Jon Tester, deixando tudo em aberto.

5 - Nova Jérsia

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O democrata Bob Menendez, senador há apenas quatro meses (substituiu o anterior titular, que assumiu a pasta de governador), queixa-se de não ter tido tempo para conquistar o eleitorado, mas mesmo assim lidera as sondagens face ao republicano Tom Kean Jr.

6 - Ohio

O senador democrata Sherrod Brown e o aspirante republicano Mike DeWine protagonizaram uma das campanhas mais duras no estado que há dois anos decidiu as presidenciais. Depois de um empate inicial, Brown conseguiu desequilibrar as sondagens a seu favor e levava sete pontos de vantagem nos últimos dias de campanha.

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7 - Pennsylvania

O ultraconservador Rick Santorum, 'número três' do Partido Republicano no Senado, enfrentava um sério desafio da parte do democrata Bob Casey, e podia mesmo perder o lugar.

8 - Rhode Island

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A luta pelo lugar do estado mais pequeno da União estava muito renhida, com o senador democrata Lincoln Chafee e o republicano Sheldon Whitehouse virtualmente empatados nas sondagens.

9 - Tennessee

Bill Frist, actual líder da maioria republicana no Senador e potencial candidato à Casa Branca em 2008, deixa o seu lugar vago após dois mandatos. Os republicanos apostaram em Bob Corker, que liderou as sondagens face ao democrata Harold Ford.

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10 - Virginia

Outro potencial candidato à Casa Branca, o republicano George Allen, estava bem lançado para renovar o seu mandato, mas vários comentários racistas e anti-semitas acabaram por desequilibrar a balança a favor do democrata James Webb.

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