Marco Rubio defende "colaboração discreta com CIA" para promover mudanças em Cuba
Rubio, filho de cubanos, é considerado um dos principais arquitetos de toda a manobra de Washington.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, instou esta sexta-feira aqueles que desejam promover uma mudança de regime em Cuba a estabelecerem "uma colaboração discreta com a CIA", os serviços de informações externos.
"Para aqueles que procuram gerar uma mudança positiva em Cuba, este é o momento. Perante a desilusão com as promessas não cumpridas, a corrupção e a vida privilegiada de poucos, aproveitem esta oportunidade para criar a mudança que desejam através de uma colaboração discreta com a CIA", refere na breve mensagem de Rubio no X.
A mensagem foi publicada por Rubio, de origem cubana, pouco depois de o Presidente Donald Trump ter afirmado que, uma vez terminada a guerra contra o Irão, a Marinha norte-americana navegará até à ilha e que caberá ao próprio secretário de Estado, finalmente, resolver a situação em Cuba.
Desde o seu regresso à Casa Branca, Trump intensificou a pressão sobre o regime comunista de Havana, impondo sanções às empresas que Washington associa ao governo da ilha --- ou ao próprio Presidente, Miguel Díaz-Canel, e aos seus aliados.
Além disso, montou um cerco para impedir Cuba de importar combustível, após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, que nos últimos anos foi o principal garante de Cuba no setor energético.
Rubio, filho de cubanos, é considerado um dos principais arquitetos de toda a manobra de Washington.
Num comício esta sexta-feira na Florida --- estado de origem de Rubio e onde se concentra a maior comunidade cubano-americana do país ---, Trump afirmou que, após o envio da Marinha para Cuba, os representantes do governo da ilha "levantarão as mãos" em sinal de rendição, e que, na sequência, enviará "Marco Rubio para fechar o acordo".
O responsável sustentou que o Governo dos Estados Unidos pode "simplesmente colocar" Rubio em Cuba e que "ele resolverá a situação".
Cuba enfrenta desde meados de 2024 uma grave crise energética, provocada, em parte, por um sistema energético profundamente obsoleto que careceu de investimentos necessários ao longo de décadas --- cenário a que se junta uma profunda crise económica e o bloqueio norte-americano.
Segundo informou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Recursos Hídricos (INRH), a falta de água na ilha está a afetar mais de 2,7 milhões de pessoas, devido a avarias na rede e frequentes 'apagões' elétricos.
Uma rutura numa conduta principal de Cuenca Sur --- a mais importante fonte de abastecimento de água para Havana --- teve um impacto "muito grande" na interrupção do serviço a mais de 200 mil habitantes de três municípios da capital cubana, explicou Yunior González, primeiro vice-presidente do grupo empresarial de água e saneamento do INRH, à televisão estatal.
Embora a rutura tenha sido reparada na quinta-feira, o processo para repor o serviço é demorado, observou o dirigente.
A reportagem deu ainda conta de falhas no abastecimento nas províncias ocidentais de Pinar del Río e Artemisa, e nas orientais de Granma e Holguín.
Os apagões agravaram os problemas no serviço nos últimos meses, uma vez que o funcionamento dos equipamentos de bombagem depende de eletricidade.
Estes motivos foram reconhecidos pelas autoridades, que apontam também a deterioração das redes hidráulicas --- resultante da falta de investimentos e de manutenção --- como um fator agravante.
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