Marrocos diz que gás será um "eixo importante" na parceria com Espanha

Governo marroquino salientou que Executivo marroquino está a trabalhar "a sério" para garantir o abastecimento de gás.

28 de abril de 2022 às 23:31
Marrocos Foto: Getty Images
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Marrocos considerou esta quinta-feira que o setor do gás vai ser um dos "eixos importantes" da "parceria estratégica" entre si e Espanha, estando preparado para reabrir o Gasoduto Magrebe-Europa (GME) para investir no mercado do gás natural liquefeito (GNL).

Quem o disse foi o porta-voz do Governo marroquino, Mustafa Baitas, durante a conferência de imprensa após o Conselho de Ministros semanal, em que não adiantou a data da reabertura do GNL, que fornecia gás a Espanha e a Portugal da Argélia e que passava por Marrocos, até Argel encerrá-lo em outubro de 2021, recusando-se a prolongar o contrato.

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"Marrocos (...) está determinado a investir no mercado do gás natural liquefeito, que será um dos eixos importantes da parceria estratégica entre o Reino de Marrocos e Espanha", assegurou.

Mustafa Baitas salientou que o Executivo marroquino está a trabalhar "a sério" para garantir o abastecimento de gás e outros produtos energéticos para se proteger da instabilidade do mercado mundial.

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O país do norte de África ficou privado do modelo que permaneceu em forma de gás quando a Argélia encerrou o GME.

Sobre as relações bilaterais com Espanha, Marrocos especificou que desde o comunicado conjunto emitido após a visita a Rabat, em 07 de abril, do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, os laços entre os dois países "avançam com passos firmes para ativar as medidas estipuladas naquele documento".

Os dois países assinaram um acordo para que Rabat adquira GNL nos mercados internacionais, descarregue-o numa central de regaseificação espanhola e depois utilize o GME para o transportar até ao seu território.

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Na quinta-feira, a Argélia advertiu Espanha que qualquer desvio do gás exportado, "cujo destino não seja outro do que o previsto no contrato", significará uma violação contratual, segundo o Ministério das Minas e Energia argelino.

A informação foi adiantada pela agência oficial do país do norte de África.

O ministro das Minas e Energia argelino, Mohamed Arkab, referiu num comunicado que foi notificado "por mensagem eletrónica, pela sua homóloga espanhola, Teresa Ribera, da decisão de Espanha de autorizar a exploração, em fluxo inverso, do Gasoduto Magrebe-Europa (GME)".

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O GME, que fornecia gás argelino a Espanha e Portugal através do território marroquino, foi encerrado em outubro de 2021, quando expirou o contrato de 25 anos, em plena tensão entre Argélia e Marrocos.

A Argélia adiantou que a "operação (solicitada pela Espanha para o uso do GME) vai ser realizada hoje [28 de abril] ou amanhã [sexta-feira]".

"As quantidades de gás natural argelino entregues a Espanha, cujo destino não seja outro do que o previsto nos contratos, vão ser consideradas uma violação dos compromissos contratuais e, portanto, poderão levar ao incumprimento do contrato que vincula a Sonatrach [empresa petrolífera estatal da Argélia] aos seus clientes espanhóis", acrescentou.

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A Argélia é o principal fornecedor de gás a Espanha, uma fonte de energia fundamental num momento em que a crise do conflito russo-ucraniano levou a União Europeia (UE) a considerar suspender as suas compras de gás à Rússia.

Espanha, por seu lado, negou esta quinta-feira a venda de gás natural da Argélia a Marrocos.

Como explicaram à agência de notícias EFE fontes do Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Espanha limitou-se a responder ao pedido de apoio expresso pelo seu parceiro Marrocos para garantir a sua segurança energética com base nas relações comerciais entre os dois países.

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Com o acordo, Marrocos poderá comprar gás natural liquefeito nos mercados internacionais, descarregá-lo numa central de regaseificação peninsular e utilizar o gasoduto do Magrebe para chegar ao seu território, mas não será argelino.

Além disso, as mesmas fontes explicaram com a ativação do mecanismo, que tem "total transparência", foi discutida com a Argélia nos últimos meses e foi comunicada ao Governo argelino.

JML // RBF

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Lusa/Fim

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