Médico e enfermeiras já estão na Bulgária

As cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestiniano condenados à morte na Líbia sob a acusação de terem contagiado mais de 400 crianças com o vírus da sida foram ontem libertados ao abrigo de um acordo para a melhoria das relações entre Tripoli e a União Europeia.

25 de julho de 2007 às 00:00
Médico e enfermeiras já estão na Bulgária Foto: Vassil Donev, Reuters
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Os profissionais de saúde regressaram à Bulgária depois da intervenção da primeira-dama francesa, Cécilia Sarkozy, que negociou a libertação com o presidente líbio, Muammar Khadafi. À chegada a Sófia as enfermeiras e o médico receberam o indulto presidencial.

“Não sei o que dizer. Tenho vivido a pensar neste momento”, afirmou ontem à chegada à capital búlgara uma das enfermeiras, Snezhana Dimitrova, de 54 anos, por entre choro e abraços aos familiares no aeroporto. As enfermeiras e o médico, que se afirmam inocentes e garantem ter sido torturados para confessar a sua culpabilidade, chegaram a Sófia acompanhados de Cécilia Sar-kozy e da comissária europeia Benita Ferrero-Waldner, que se tinham deslocado à capital líbia, Tripoli, no domingo, para tentar acelerar a libertação.

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Os seis foram ontem recebidos pelo presidente búlgaro, Georgi Parvanov, que os indultou. A libertação apenas foi possível depois de a UE ter negociado e estabelecido um acordo de cooperação com a Líbia, o qual prevê, entre outros pontos, a concessão de ajuda médica àquele país e o fortalecimento dos laços políticos entre as partes.

SEM PAGAMENTO

O próprio presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeu que a libertação das enfermeiras e do médico seria uma prioridade na sua estratégia e referiu que visitaria a Líbia num esforço para ajudar à aproximação de Tripoli ao Ocidente. Sarkozy assegurou que nem a UE nem a França efectuaram qualquer pagamento à Líbia a troco da liberdade do médico e das enfermeiras.

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Detidas desde Fevereiro de 1999, as enfermeiras Christiana Valcheva, Nasia Nenova, Valia Cherveniashka, Valentina Siropoulo e Snezhana Dimitrova e o médico de origem palestiniana, recentemente naturalizado búlgaro, Achraf Joumaa Hajouj, viram recentemente comutada para prisão perpétua a sentença de pena de morte a que haviam sido condenados pelas autoridades líbias. Refira-se que, com as cinco enfermeiras e o médico, também regressou à Bulgária o clínico Zdravko Georgiev, que esteve igualmente detido mas foi absolvido em 2004 quando os seis foram condenados à morte pelo contágio de 438 crianças líbias com o HIV, das quais 56 vieram a falecer.

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