Menino que teve braço arrancado por tigre não pode usar prótese
Notícia foi dada aos pais do menino pelos médicos do Hospital Universitário do Oeste do Paraná.
O menino de 11 anos que na quarta-feira viu o seu braço direito ser arrancado por um tigre, no Jardim Zoológico da cidade brasileira de Cascavel, interior do estado do Paraná, no Brasil, recebeu na quinta-feira uma notícia que piorou ainda mais o seu estado de espírito e o da família. Os médicos informaram que a criança não poderá usar uma prótese que, pelo menos parcialmente, substituísse o membro amputado.
A notícia foi dada aos pais do menino pelos médicos do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, também em Cascavel, para onde a criança foi levada após o ataque do felino e onde o braço teve de ser amputado, dado o estado de dilaceração em que ficou. Após análise de uma equipa multidisciplinar de médicos, concluiu-se que, como o braço teve de ser amputado rente ao ombro, não sobrou espaço útil para no futuro ser implantada uma prótese.
O diagnóstico, ainda de acordo com os especialistas, não é definitivo, pois é preciso esperar a cicatrização total do ombro. No entanto, os médicos classificaram como muito pouco provável que, mesmo no futuro, exista a possibilidade de se criar uma forma de encaixar a prótese que facilitará a vida ao menor.
OMISSÃO
Entretanto, a polícia de Cascavel adiantou que vai incriminar o pai do menino, Marcos do Carmo Rocha, pelos crimes de lesão corporal grave não intencional e omissão pelo facto de o pai, de acordo com testemunhas e até filmagens realizadas com telemóvel no momento do incidente, ter incentivado o filho a entrar na área proibida. O Jardim Zoológico de Cascavel também poderá ser responsabilizado, pois apesar de ter instalado uma cerca metálica a separar o público da área imediatamente anterior à das jaulas com os animais, não tinha no local seguranças que impedissem que esse obstáculo fosse ultrapassado.
O menino ultrapassou a cerca metálica e, apesar dos gritos de aviso e do desespero de outros visitantes do jardim zoológico, foi alimentar um dos leões. Depois, sempre incentivado pelo pai, segundo as testemunhas, foi para a jaula do tigre. Para dar um pedaço de frango ao enorme felino, enfiou o braço dentro da jaula, altura em que foi atacado.
Vanilse Oliveira, bióloga do Jardim Zoológico, afirmou que o tigre é dócil, não liga à presença dos visitantes e gosta até de receber afagos do seu tratador. Contudo, de acordo com o que a bióloga e várias testemunhas contaram à polícia, o felino ficou irritado pela atuação do menor, que antes de enfiar o braço dentro da jaula correu de um lado para o outro, provocando stress no animal.
A criança, que vive com a família em São Paulo, tinha ido a Cascavel de férias e foi ao Jardim Zoológico com o pai e o irmão, de três anos. Marcos chegou a ser detido, mas como a mulher estava em São Paulo, a polícia de Cascavel libertou-o para poder ficar ao lado do filho no hospital.
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