México planeia enviar ajuda humanitária a Cuba enquanto negoceia petróleo com EUA

Chefe de Estado mexicana esclareceu que não discutiu o fornecimento de petróleo com o Presidente norte-americano.

02 de fevereiro de 2026 às 08:17
Claudia Sheinbaum Foto: Raquel Cunha/Lusa
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A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou que planeia enviar ajuda humanitária para Cuba esta semana, enquanto tenta negociar com os Estados Unidos o envio de petróleo "por razões humanitárias" para a ilha.

"Esta semana, estamos a planear ajuda humanitária a Cuba. A Marinha mexicana fornecerá alimentos e outros mantimentos enquanto resolvemos diplomaticamente tudo o que está relacionado com os carregamentos de petróleo por razões humanitárias", anunciou Sheinbaum, no domingo.

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A chefe de Estado esclareceu que não discutiu o fornecimento de petróleo com o Presidente norte-americano, apesar de Donald Trump ter afirmado que transmitiu a Sheinbaum a oposição ao envio de petróleo para Cuba.

"A questão foi abordada", observou a Presidente mexicana, "durante a conversa entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Juan Ramón de la Fuente, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio".

"Estamos a explorar todas as vias diplomáticas para enviar combustível ao povo cubano, porque esta não é uma questão para os governos, mas sim uma questão de fornecer apoio para evitar uma crise humanitária em Cuba", acrescentou Sheinbaum.

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Na quinta-feira, Sheinbaum alertou que a imposição, pelos Estados Unidos, de direitos aduaneiros adicionais aos países que ajudam Cuba a abastecer-se de petróleo poderá desencadear uma vasta "crise humanitária" na ilha caribenha.

"A aplicação de direitos aduaneiros adicionais aos países que fornecem petróleo a Cuba poderá provocar uma crise humanitária de grande dimensão, afetando diretamente os hospitais, a alimentação e outros serviços essenciais ao povo cubano", afirmou Sheinbaum numa conferência de imprensa na Cidade do México.

A líder mexicana, de esquerda, falava um dia depois de Trump ter assinado um decreto que prevê que os Estados Unidos poderão aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana.

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Na ordem executiva, Trump classificou Cuba como uma "ameaça invulgar e extraordinária" para a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos.

Em resposta, o Governo cubano negou no domingo acolher "bases militares ou de inteligência estrangeiras".

A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros nega que Cuba seja "uma ameaça à segurança dos Estados Unidos", que tenha apoiado "atividades hostis" contra aquele país ou que tenha apoiado e financiado organizações terroristas ou extremistas.

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Após a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Trump colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero venezuelano, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos seus aliados mais próximos.

Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.

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