Milhares de pessoas manifestam-se na Turquia contra censura do Presidente aos media

"Não nos deixaremos silenciar. Basta!", gritaram os manifestantes, entre os quais se encontravam numerosos jornalistas, reunidos na margem asiática de Istambul.

24 de outubro de 2026 às 19:09
Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan Foto: Hussein Malla/AP
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Vários milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Istambul e Ancara para denunciar a pressão constante exercida pelo poder do presidente Recep Tayyip Erdogan sobre a imprensa, através de processos judiciais e do encerramento de órgãos de comunicação social.

"Não nos deixaremos silenciar. Basta!", gritaram os manifestantes, entre os quais se encontravam numerosos jornalistas, reunidos na margem asiática de Istambul.

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"Não cederemos à pressão", entoaram ainda, empunhando fotografias de jornalistas presos.

Segundo as autoridades, participaram nas manifestações cerca de 3000 pessoas em cada uma das duas cidades.

A liberdade de imprensa está sob pressão na Turquia desde a tentativa falhada de golpe de Estado de 2016. Os grupos de defesa dos direitos humanos denunciam, porém, um agravamento significativo da situação nos últimos dois meses, período durante o qual foram detidos 11 jornalistas.

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Há dez dias, a polícia turca tomou o controlo da sede da Halk TV, o principal canal de televisão da oposição, no mais recente episódio de uma campanha do poder contra os meios de comunicação social, os círculos políticos e as associações.

A suspensão das emissões da Halk TV, cuja gestão foi confiada a um administrador nomeado pelas autoridades, ocorreu duas semanas depois do bloqueio do 'site' de informação independente T24, um dos mais importantes do país, acusado de "propaganda LGBT". O caso surge também um ano após o poder ter assumido o controlo do canal de oposição Tele 1, que entretanto passou a alinhar com as posições do Governo.

"Esta mobilização não tem apenas como objetivo defender os jornalistas. Trata-se também de proteger o direito da sociedade a aceder à informação através de jornalistas e órgãos independentes de comunicação social", declarou à Agência France Presse (AFP) Zafer Arapkirli, colunista do diário BirGun, em Istambul.

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Na sua opinião, quanto mais a pressão se intensifica, mais forte deve ser a reação e a determinação em resistir-lhe. "O que o regime pretende é intimidar, silenciar e assustar a sociedade", afirmou este jornalista, que também é alvo de processos judiciais.

"Temos de mostrar que não permitiremos que isso aconteça. É o que temos feito até agora. Acredito que estamos a caminhar para uma demonstração dessa determinação a uma escala completamente diferente", referiu.

Gokhan Durmus, presidente do Sindicato dos Jornalistas da Turquia, descreveu uma mudança na natureza dos "ataques do Governo" islamo-conservador do presidente Erdogan.

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"Se analisarmos as restrições recentes, os bloqueios de acesso e as nomeações de administradores provisórios, verificamos que visaram alguns dos organismos de radiodifusão, canais de informação e plataformas com maior número de seguidores e audiências", acrescentou.

Em Ancara, os manifestantes gritavam "Não à censura" e "Liberdade para os jornalistas presos". As forças policiais, presentes em número reduzido, não intervieram.

"A manifestação de hoje foi importante, tanto por ter permitido aos jornalistas reunirem-se para fazer ouvir a sua voz como por ter defendido o direito dos cidadãos a aceder à informação", declarou à AFP Gokcer Tahincioglu, trabalhador do T24.

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Os jornalistas "estão determinados a transmitir uma mensagem: queremos exercer a nossa profissão e queremos poder fazê-lo livremente", afirmou, elogiando a solidariedade demonstrada pelo público e pelos colegas após o encerramento do seu canal.

Em Ancara, foi lida à multidão uma carta de Ismail Ari, jornalista do BirGun que se encontra preso.

"Estou detido na prisão por nenhuma outra razão que não seja o exercício da minha profissão. Estão a roubar-me dias de vida", escreveu a partir da prisão de Sincan, nos arredores da capital.

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Ismail Ari foi detido há poucos dias pela segunda vez em sete meses, acusado de "insultar um funcionário do Estado" e de "divulgar informações enganosas".

A queixa contra o jornalista foi apresentada por Ebubekir Sahin, presidente da autoridade reguladora da radiodifusão na Turquia.

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