Mineração ilegal matou pelo menos nove pessoas em três dias no centro de Moçambique

Escavação começou com cerca de meio metro de profundidade, após ter sido descoberto ouro no local, tendo a informação atraído sucessivamente mais garimpeiros.

11 de setembro de 2026 às 16:59
Bandeira Moçambique Foto: Getty Images
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Pelo menos nove pessoas morreram em três dias devido a desabamentos de terras associados à mineração ilegal no distrito de Vanduzi, província de Manica, centro de Moçambique, disse esta sexta-feira à Lusa o administrador local.

O administrador daquele distrito, Armindo Canhenze, disse que seis pessoas morreram na madrugada de quinta-feira por desabamento de terra numa zona de mineração ilegal conhecida como "seis carros", duas perderam a viva na quarta-feira e uma na terça-feira, também numa área de exploração mineira na mesma província.

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"Ao invés de entrar cinco [em] `seis carros´[na zona de exploração mineira], acabam entrando três mil pessoas, duas mil pessoas. Então o número é maior, já não há disciplina, já não há regra", disse o administrador, explicando que a concentração de garimpeiros aumenta o risco de desabamento do terreno.

Segundo Armindo Canhenze, nessa área de exploração, a procura de ouro levou ao aumento progressivo da área escavada, que atualmente tem cerca de 20 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro.

A escavação começou com cerca de meio metro de profundidade, após ter sido descoberto ouro no local, tendo a informação atraído sucessivamente mais garimpeiros. O administrador disse que, durante o período chuvoso, a entrada de centenas ou milhares de pessoas fragiliza o terreno e aumenta o risco de soterramento.

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A morte das seis pessoas na quinta-feira tinha sido confirmada à Lusa pela Polícia da República de Moçambique (PRM), que indicou que as vítimas morreram na sequência de um desabamento de terras, sem registo de feridos.

O porta-voz da PRM em Manica, Mouzinho Manasse, explicou que a reduzida visibilidade durante a noite dificulta a fiscalização das zonas de exploração mineira.

"Os desabamentos que têm vindo a acontecer ocorrem normalmente entre a meia-noite e as três horas da madrugada, num período em que a visibilidade é bastante reduzida", afirmou.

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As autoridades estão a preparar uma escavadora para tapar a cova e pretendem manter uma força policial no local para impedir novas entradas, segundo Canhenze, que disse que os corpos das vítimas já foram retirados e entregues às famílias.

O administrador acrescentou que as autoridades estão a cumprir o decreto que suspende a atividade mineira e já organizaram seis cooperativas, tendo submetido documentação para uma eventual retoma da mineração nos termos previstos pelas autoridades.

A situação ocorre numa altura em que as autoridades moçambicanas têm manifestado preocupação com a mineração ilegal e descontrolada em Manica, devido aos riscos para as comunidades, aos impactos ambientais e à exploração ilegal de recursos minerais.

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Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para a presença de menores em atividades de mineração ilegal em Manica, após identificar cerca de 900 pontos de escavação onde trabalhavam várias pessoas, incluindo menores de 15 anos.

Também em junho, a Câmara de Minas de Moçambique advertiu para os problemas associados à mineração descontrolada na província e defendeu uma maior coordenação entre instituições públicas e privadas, numa altura em que Manica regista a descoberta de novos minerais críticos.

Em 2025, o Governo suspendeu licenças de empresas mineiras devido a irregularidades ambientais, incluindo a ausência de planos de recuperação de solos e de sistemas de contenção de resíduos, após um relatório das Forças de Defesa e Segurança apontar para uma "mineração descontrolada" na província.

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Entretanto, segundo informação atualizada pelo Governo moçambicano em agosto último, já foi autorizada a retoma da atividade de 30 das 41 empresas mineiras suspensas em Manica, após estas cumprirem requisitos ambientais e normas de mineração, estando as restantes em avaliação.

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