NATO justifica retirada de tropas com deceção dos EUA e dá Portugal como exemplo
Mark Rutte justificou que a retirada de tropas da Alemanha mostra a "deceção" pela falta de apoio dos aliados na guerra contra o Irão.
O secretário-geral da NATO justificou esta segunda-feira que a retirada de tropas da Alemanha, anunciada pelo Presidente norte-americano, mostra a "deceção" pela falta de apoio dos aliados na guerra contra o Irão, contrapondo com o apoio dado por Portugal.
"Tem havido alguma deceção do lado dos Estados Unidos em relação à reação ao que está a acontecer agora no Médio Oriente e à campanha de Israel e dos EUA contra o Irão", disse o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte.
Falando à chegada da oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, que decorre esta segunda-feira na capital da Arménia, em Erevan, Rutte apontou que "os líderes europeus ouviram a mensagem dos Estados Unidos com clareza".
"Todo o apoio logístico está a ser entregue [...] pela Roménia, Portugal, Grécia, Itália, Reino Unido e outros apoios", elencou, numa alusão à utilização de bases europeias, como a das Lajes, nos Açores.
Os aliados europeus estão, de acordo com Mark Rutte, "a garantir que todos os acordos bilaterais básicos estão a ser implementados".
Por seu lado, outros países aliados como Espanha, rejeitaram que os Estados Unidos utilizassem as suas bases na guerra contra o Irão.
Também na chegada à cimeira da Comunidade Política Europeia, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, apontou que "o momento deste anúncio é uma surpresa", embora admitindo que "já se fala há muito tempo sobre a retirada das tropas dos Estados Unidos da Europa".
"Acho que isso mostra que temos de reforçar seriamente o pilar europeu na NATO e que temos de fazer muito mais. As tropas americanas não estão na Europa apenas para proteger os interesses europeus, mas também os interesses americanos", adiantou a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.
A capital da Arménia, Erevan, recebe esta segunda-feira uma cimeira da CPE para debater a estabilidade do continente face às tensões geopolíticas mundiais sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participa por motivos de agenda, ao contrário do anteriormente previsto.
Da lista oficial de participantes, que são mais de 40, contam 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.
Presente está também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o Vice-Presidente da Turquia, Cevdet Yilmaz, para quem foi feita uma exceção embora não sejam permitidas substituições de líderes.
A cimeira será, ainda assim, dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no Médio Oriente continua a ter implicações, sobretudo ao nível energético.
Quanto ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por dar apoio para reduzir a dependência destes países em relação à Rússia.
A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.
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