Navio de todos os medos chega às Canárias
Mesmo com receios, o 'MV Hondius' vai deixar passageiros em Tenerife sem contactar com terra. Retirada será feita com recurso a lanchas.
Apesar da contestação e dos medos locais, o ‘MV Hondius’, onde se iniciou o surto de hantavírus, começa este domingo a desembarcar passageiros nas ilhas Canárias. A operação, supervisionada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelos ministérios da Saúde e do Interior espanhóis e pela Comissão Europeia, vai permitir retirar os passageiros e alguma tripulação no porto industrial de Granadilla de Abona (Tenerife). Não vai, no entanto, atracar, ficará apenas fundeado em frente ao porto e a retirada será feita com recurso a lanchas. Quando algumas das cerca de 150 pessoas a bordo deixarem a embarcação, serão avaliadas por equipas médicas, para garantir que não apresentam sintomas.
De modo a garantir a segurança da população, o governo espanhol só vai autorizar a retirada de pessoas se houver um voo imediatamente disponível em Tenerife. No caso dos cidadãos espanhóis (13 passageiros e um tripulante), serão levados para Madrid, onde farão quarentena no hospital militar Gomez Ullá. Ainda assim, membros da tripulação (bem como o corpo do homem que morreu a bordo) não vão sair no arquipélago espanhol, continuando rumo aos Países Baixos, onde o navio vai ser desinfetado. Será lá que o cidadão com nacionalidade portuguesa, residente no Reino Unido, sairá do navio.
Este sábado, o diretor-geral da OMS (que tem médicos a bordo do ‘MV Hondius’ a monitorizar a situação), Tedros Adhanom Ghebreyesus chegou a Espanha para acompanhar o desembarque. Numa publicação nas redes sociais, disse “perceber” os receios da população, sobretudo quando “a dor de 2020 [da covid-19] ainda é real”. Mas “isto não é uma nova covid-19”. “Dizemos isto de forma inequívoca”, atirou.
Ao início da tarde de sábado, Maria van Kerkhove, diretora do departamento de Gestão de Ameaças Pandémicas da OMS, confirmou que o número de casos se mantém estável (oito no total, com três mortos), e reiterou que “o risco para a população global é baixo”. Além disso, quem está no navio “continua sem manifestar sintomas”, o que disse ser uma “boa notícia”. A responsável garantiu ainda que o paciente internado nos Cuidados Intensivos, na África do Sul, está a melhorar.
Na sexta-feira, a tripulante de cabina do voo de Santa Helena para Joanesburgo, onde esteve uma das vítimas mortais, testou negativo ao hantavírus.
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