Ninjas assaltam comando da Polícia

Cem elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) de S. Tomé e Príncipe tomaram anteontem de assalto o Comando-geral da Polícia, sequestraram o comandante-geral, Gilberto Andrade, e mais 22 oficiais. Reunido de emergência em Conselho de Ministros, o governo do primeiro-ministro, Tomé Vera Cruz, exige a libertação dos oficiais para iniciar as conversações com os revoltosos.

10 de outubro de 2007 às 00:00
Ninjas assaltam comando da Polícia Foto: Tiago Petinga / Lusa
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Os insurrectos exigem o pagamento do subsídio da formação que receberam em Angola em 2003/2004, aumentos salariais e a construção de um quartel para a sua força militar. Refira-se que o subsídio que reivindicam é de 50 milhões de dobras (cerca de 2600 euros). Os ‘Ninjas’, nome pelo qual são conhecidos os polícias antimotim no país, adiantaram que, caso o governo não satisfaça as suas reivindicações, passam ao “Plano B”. Sem revelarem pormenores sobre este plano, o líder dos ‘Ninjas’, 1.º subchefe Wilson Quaresma, frisou que “no caso das Forças Armadas se envolverem na questão nós vamos ripostar”, acrescentando que “se eles estão armados nós também estamos”. “Não vamos admitir que os militares nos tentem desalojar, porque vamos responder. Não vamos admitir isso”, alertou Wilson Quaresma.

O governo, que inicialmente negou ceder às pressões dos revoltosos, não pretendendo dialogar com os mesmos, viu-se ontem obrigado a recuar. O Conselho de Ministros reuniu de emergência para se pronunciar sobre os acontecimentos e, no final, o porta-voz do governo, Justino Veiga, ministro da Justiça, afirmou que “o governo está disponível para negociar com os elementos da Polícia de Intervenção Rápida”, mas colocou como condição a “libertação do comandante-geral e dos oficiais detidos”. Veiga adiantou ainda que será o ministro da Defesa e Ordem Interna, Óscar de Sousa, quem vai dirigir as conversações. À hora do fecho desta edição, os ‘Ninjas’ estavam reunidos para decidir sobre a condição imposta pelo governo para o início do diálogo.

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SEGUNDA REVOLTA EM DOIS ANOS

É a segunda vez em quase dois anos que a Polícia de Intervenção Rápida se revolta para ver cumpridas as suas exigências. Em Janeiro de 2006, liderados pelo seu actual porta-voz, Wilson Quaresma, atacaram o Comando-Geral da PSP. Na altura, o governo da primeira-ministra, Maria do Carmo Silveira, do MLSTP/PSD, acabou por ceder, demitindo o comandante-geral, Armando Correia, agora assessor do ministro da Defesa. O governo designou interinamente Januário Ceita, que exerceu até a tomada de posse do actual comandante-geral da polícia, Gilberto Andrade, em Novembro passado.

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