"No meu país só existe fome": centenas de crianças chegam a Ceuta e recusam-se a regressar a Marrocos

Ministério do Interior estima que, nas últimas 24 horas, 49 mil pessoas chegaram a Ceuta, maioritariamente a nado, apesar da repressão das autoridades.

31 de julho de 2026 às 10:21
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A enchente de migrantes a chegar a Ceuta continua a instalar o caos na cidade autónoma espanhola que faz fronteira com Marrocos. O ministério do Interior estima que, nas últimas 24 horas, cerca de 49 mil marroquinos alcançaram Ceuta, maioritariamente a nado.

Com pouca roupa, descalços, mas incrédulos e felizes: é assim que chega a maioria.

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"Os meus pais não sabem que estou aqui. Vim com muitos amigos", disse Mohamed, de 13 anos, ao jornal El Mundo. O menino vindo da cidade de Tetouan recusa-se a regressar a Marrocos, assim como as centenas de crianças que chegam a Ceuta. "Viva Ceuta, meu amigo! Quero ser espanhol. No meu país só existe fome", justificou Mohamed.

Há também consiga atravessar a fronteira por via terrestre. Adam, de 10 anos, disse que veio de autocarro e em táxis compartilhados.

Várias crianças pedem logo algo para comer e beber.

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Durante a noite, centenas de pessoas dormiram ao relento, em jardins, bancos e postos de gasolina. Alguns chegam feridos, com hematomas nos pés, braços e pernas.

Ainda durante a noite de quinta-feira, as autoridades marroquinas usaram gás lacrimogéneo e canhões de água, numa tentativa de dispersar a multidão reunida perto da fronteira com Ceuta, segundo constatou a agência de notícias espanhola EFE.

Desde o início desta nova crise fronteiriça, semelhante à verificada em 2021, pelo menos 27 pessoas morreram a tentar atravessar a fronteira. Esta manhã de sexta-feira, a Guardia Civil ainda procura resgatar mais corpos, pelo que o número de mortos poderá aumentar, avança o El País.

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, vai visitar Ceuta esta sexta-feira e prometeu o envio de forças especiais para apoiar a Guardia Civil no controlo da situação. 

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