Nova Orleães cidade fantasma

Apesar de o nível das águas já ter começado a baixar, a cidade de Nova Orleães continua a viver uma situação de caos. As autoridades, que já decretaram o estado de emergência sanitária, estimam que ainda permaneçam na cidade entre 50 a 100 mil pessoas, que terão de ser totalmente evacuadas nos próximos dias. A falta de água potável, a interrupção no abastecimento de electricidade e a falta de bens essenciais tornaram a vida insuportável. Prevê-se que só daqui a três meses é que a situação possa estar suficientemente estabilizada para que os cerca de 1,3 milhões de habitantes possam começar a regressar à cidade.

01 de setembro de 2005 às 08:17
Nova Orleães cidade fantasma Foto: Reuters
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À frente da lista de evacuados surgem os cerca de 25 mil desalojados que se encontravam refugiados no estádio Superdome, que também não resistiu à passagem do furacão “Katrina”. As condições tornaram-se de tal forma insuportáveis que a governadora do Louisiana ordenou a evacuação destes desalojados para outro estádio, o Astrodome, da cidade de Houston, no Estado vizinho do Texas. O desespero de quem perdeu tudo o que tinha levou já duas pessoas a suicidarem-se. Para o transporte, a efectuar nas próximas 48 horas, foram requisitados 475 autocarros.

Nas ruas, sucedem-se os actos de pilhagem, o que levou as autoridades a reforçarem o efectivo de polícias e militares. Para tentar controlar a situação caótica vivida em Nova Orleães, que mais parece um palco de guerra, foram destacados cerca de 20 mil polícias e militares, muitos dos quais acabaram de receber treino específico para reforçarem o efectivo militar norte-americano no Iraque, cuja partida para aquele país foi adiada. Também nos hospitais, a situação é caótica, com a falta de água potável e de electricidade a tornar insuportável a vida dos médicos e doentes.

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BUSH SOBREVOA ZONA AFECTADA

O presidente norte-americano, George W. Bush, sobrevoou já a zona mais afectada pela passagem do furacão, no sul dos EUA, depois de ter encurtado em dois dias o final das férias no seu rancho no Texas. “Há milhares de casas e de empresas destruídas, perdidas para sempre. Grande parte da costa do Mississippi foi destruída. Estamos a assistir a uma das piores catástrofes naturais da História da nossa nação. Vai demorar muito tempo, provavelmente anos, a regressar à normalidade”, afirmou numa declaração proferida nos jardins da Casa Branca.

Segundo explicou Bush, os esforços das autoridades centram-se agora em três prioridades, a principal das quais é salvar vidas humanas, pelo que está a ser posta em prática uma gigantesca operação humanitária para ajudar os mais necessitados, nomeadamente retirar os cidadãos das zonas mais afectadas, onde a vida se tornou impossível. Muitos habitantes tiveram de ser resgatados de helicóptero dos telhados das suas casas onde de refugiaram devido à subida do nível das águas, que inundaram a quase totalidade da cidade de Nova Orleães.

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As outras duas prioridades das autoridades são, revelou o presidente norte-americano, fornecer alimentos, água e um abrigo aos deslocados e restabelecer o fornecimento de água potável e de electricidade, bem como as linhas de comunicação destruídas pela passagem do furacão. Entretanto, para poder responder a situações de escassez de gasolina, devido a problemas de produção e fornecimento de combustíveis criados pelo “Katrina”, Bush ordenou ao departamento de Energia para dispensar petróleo das reservas estratégicas do país.

NÃO HÁ PORTUGUESES

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros assegurou ontem não haver indicação de qualquer cidadão português afectado pela tragédia do ‘Katrina’. A mesma fonte adiantou não existir registo de portugueses residentes na área atingida.

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'A PIOR CATÁSTROFE'

O presidente George W. Bush considerou o ‘Katrina’ como “uma das piores catástrofes naturais da história dos EUA” e admitiu que a recuperação da zona atingida “levará anos”. Bush ordenou ainda ‘tolerância zero’ para as pilhagens.

20 PFERECEM AJUDA

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À semelhança do que fizeram após o tsunami na Ásia, os ex-presidentes Bush e Clinton vão liderar a recolha de fundos para auxílio às vítimas. Vinte países já ofereceram ajuda.

CHÁVEZ CRITICA

O presidente venezuelano Hugo Chávez não desperdiçou a ocasião para criticar George W. Bush, acusando-o de não ter interrompido as férias.

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'VARRIDA' DO MAPA

A pequena cidade costeira de Waveland, no Mississippi, foi completamente ‘varrida’ do mapa, afirmaram os socorristas que ontem conseguiram chegar ao local pela primeira vez.

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