Novas taxas dos EUA sobre o Brasil atingem campanha presidencial de Flávio Bolsonaro

Mais de metade dos brasileiros considera que o filho de Jair Bolsonaro é responsável pelas taxas impostas por Donald Trump.

Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro Foto: Isaac Fontana/Lusa
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As novas taxas impostas pelos EUA a produtos exportados pelo Brasil, que em princípio afetariam a campanha à reeleição do presidente Lula da Silva, tiveram um efeito contrário ao esperado pelos seus apoiantes e atingiram em cheio a campanha do principal adversário do atual governante, Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Um levantamento realizado pelo Instituto Genial Quaest mostrou que a maioria dos brasileiros culpa Flávio, aliado de Donald Trump, e não Lula pelas novas taxas, que podem prejudicar parte das exportações brasileiras e até o bolso do cidadão comum.

De acordo com a sondagem, 51% dos brasileiros dizem que a culpa pela nova punição ao Brasil é de Flávio Bolsonaro, enquanto somente 30% atribuem a responsabilidade a Lula. A Quaest perguntou aos inquiridos se a imposição das novas sobre-taxas se devia às pressões de Flávio e do irmão, Eduardo Bolsonaro, junto do governo de Donald Trump, ou aos constantes ataques de Lula ao presidente norte-americano.

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As novas taxas sobre produtos brasileiros foram anunciadas pelos EUA na noite de quarta-feira e entrarão efetivamente em vigor no próximo dia 22. A taxa extra já confirmada é de mais 25% além das taxas já impostas no ano passado por Trump, mas uma nova taxação adicional, de outros 12,5%, está a ser analisada pelo Escritório do Representante Especial de Comércio dos EUA (USTR), e o governo brasileiro não tem qualquer dúvida de que será igualmente implementada.

Nas redes sociais, uma das áreas de atuação preferidas por Flávio Bolsonaro, somente na quinta-feira, horas após a confirmação das novas sobretaxas, houve sete milhões de citações negativas ao candidato. E muitos desses utilizadores, mesmo dizendo-se de direita, como Flávio, deixavam claro que iriam mudar o seu voto devido à pressão dele para que o Brasil fosse punido.

Flávio Bolsonaro, que chegou a superar numericamente Lula da Silva nas sondagens meses atrás, começou a pressionar o governo Trump ainda no ano passado para que adotasse punições ao Brasil para atingir Lula, contando com a ajuda de Eduardo Bolsonaro, que se auto-exilou nos EUA e tem amigos próximos à Casa Branca. Só que Donald Trump, que tem muito mais problemas a enfrentar, demorou para atender o pedido e as novas punições acabaram por ser decretadas agora, a pouco mais de dois meses das presidenciais brasileiras, e quando Flávio já enfrenta um crescente desgaste político após sucessivos escândalos, erros de estratégia e omissões e hesitações que mostram a sua inexperiência, conjunto de fatores que o fez ficar oito pontos atrás de Lula na sondagem para as presidenciais divulgada esta semana também pela Quaest.

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