Novo ataque dos EUA contra navio no Pacífico faz dois mortos
Ataque decorreu em águas situadas perto da costa da Colômbia.
Os Estados Unidos realizaram mais um ataque no Pacífico na quinta-feira contra uma embarcação suspeita de tráfico de droga, matando duas pessoas, anunciou o Exército norte-americano.
O ataque, anunciado pelo Comando Militar dos EUA para a América Latina e Caraíbas, decorreu em águas situadas perto da costa da Colômbia.
O Comando Sul dos EUA anunciou o ataque com um vídeo, publicado nas redes sociais, que mostra um barco a mover-se na água antes de explodir em chamas, e confirmou a morte de duas pessoas, que descreveu como "narcoterroristas".
A embarcação “estava a navegar por rotas conhecidas de tráfico de droga no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de tráfico de droga”, disse o comando militar.
O ataque foi anunciado poucas horas depois de o Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, ter alegado que “alguns dos principais traficantes de droga de cartel” da região “decidiram cessar todas as operações de tráfico de droga INDEFINIDAMENTE devido aos recentes ataques cinéticos (altamente eficazes) nas Caraíbas”.
Na terça-feira, o Presidente colombiano, Gustavo Petro, realizou uma visita oficial a Washington, onde se reuniu com o homólogo norte-americano, Donald Trump, após recentes trocas públicas de críticas e ameaças entre ambos.
Com este último ataque, pelo menos 128 pessoas foram mortas e 37 embarcações destruídas desde setembro, o início da chamada Operação Lança do Sul, uma campanha de ataques dos EUA contra embarcações suspeitas de tráfico de droga.
Este é o segundo ataque desde o início do ano, após um ataque anterior a 23 de janeiro, também no Pacífico.
A administração de Donald Trump, que já realizou mais de 30 ataques no total, nunca apresentou provas de que as embarcações visadas estivessem de facto envolvidas no tráfico.
Trump afirmou que os EUA estão em “conflito armado” com os cartéis na América Latina e justificou os ataques como uma escalada necessária para conter o fluxo de droga.
A legalidade da campanha, que visa oficialmente cartéis que abastecem o tráfico de droga nos Estados Unidos, gerou um intenso debate tanto a nível internacional como nos círculos políticos americanos.
Especialistas e funcionários da ONU denunciaram os ataques como sendo execuções extrajudiciais e uma violação flagrante das leis dos conflitos armados.
As famílias de dois cidadãos de Trindade e Tobago, mortos num ataque contra um barco em outubro, processaram o Governo federal dos Estados Unidos na semana passada, classificando o ataque como um crime de guerra e parte de uma “campanha militar dos EUA sem precedentes e manifestamente ilegal”.
Este é o primeiro caso judicial tornado público decorrente da campanha militar e poderá testar a justificação legal dos ataques.
A campanha, que começou no mar das Caraíbas, foi o prelúdio da intervenção militar de 03 de janeiro, na qual os EUA capturaram Nicolás Maduro em Caracas, para o transferir para uma prisão federal em Nova Iorque.
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