O Nobel que veio do laser
O laser entrou definitivamente na vida de todas as pessoas e hoje já não é possível viver sem as suas inúmeras aplicações. Basta lembrar os benefícios na Medicina – por exemplo a correcção à miopia –, a leitura dos códigos de barras, a música por CD ou a impressão em papel.
Não só, estes raios são ainda usados nas telecomunicações dos cabos ópticos, como também em muitas outras situações. O maior conhecimento da luz laser que temos hoje deve-se exclusivamente às investigações feitas há dez anos por dois americanos e um alemão, que ontem foram galardoados com o Nobel da Física.
O americano Roy Glauber é premiado pelo seu contributo na Teoria Quântica da Coerência Óptica e divide a homenagem com outro americano e um alemão, John Hall e Theodor Haensch, respectivamente. Estes dois investigadores desenvolveram a espectroscopia de precisão com base na tecnologia laser.
O CM apurou que um grupo de cientistas portugueses, liderado por Carlos Nabais Conde, da universidade de Coimbra, colaboram actualmente nas investigações do Nobel alemão, Theodor Haensch, e contam com vários artigos publicados sobre o tema desde 2004.
O cientista português Carlos Fiolhais, docente naquela Universidade, explicou ao CM a importância dos trabalhos dos físicos galardoados: “Roy Glauber fez um estudo teórico sobre a luz laser, que é uma luz muito intensa, coerente, que, ao contrário da luz da lâmpada, só tem uma cor. De acordo com a Teoria Quântica, os átomos só absorvem e emitem a luz em determinadas quantidades, permitindo a libertação ou absorção de energia”.
O cientista explica ainda que a investigação da equipa Hall e Haensch é importante porque desenvolveu a espectroscopia. “Hoje em dia é possível usar o laser com grande precisão e em variados comprimentos de onda.” Esta aplicação dos laser permitirá melhorar os relógios atómicos que se encontram a bordo dos satélites de apoio ao GPS (Sistema Global de Posição).
“A investigação do laser de alta precisão permite medir a energia com muitos algarismos. É importante para melhor medir o tempo, o que é fundamental na localização por um GPS. Se não tiver alta precisão, o instrumento daria uma localização errada”, explica o investigador, que enaltece o trabalho do ‘avô’ do laser: Einstein. “Ele disse, há 100 anos, que a luz existe sob a forma de grão de energia.”
O trabalho teórico sobre o laser do americano Glauber interessa mais ao oftalmologista Manuel Vinagre. “A tomografia de coerência óptica permite aceder às estruturas da retina, através da pupila, e proceder à cirurgia sem necessidade de injectar corantes de contraste, que implica efeitos secundários e agressão física no olho do doente.”
Largas dezenas de milhar de doentes portugueses vêem hoje melhor graças ao laser, descoberto pelos americanos Arthur Schawlow – que lhe valeu o Prémio Nobel em 1981 – e por Charles Pownes, também galardoado com um Nobel da Física uns anos antes, em 1964.
O americano Roy Glober nasceu há 80 anos em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, tendo sido professor de física na Universidade de Harvard, em Cambridge. Este investigador, actualmente reformado, vai dividir o prémio, no valor total de 1,1 milhões de euros, a meias com os dois outros físicos, o americano John Hall e o alemão Theodor Haensch.
A cerimónia terá lugar na Academia Real das Ciencias, na Suécia, a 10 de Dezembro. John Hall, de 71 anos, nasceu em Denver, no Colorado, e é catedrático no National Institute of Standards and Tecnology da Universidade do Colorado, nos EUA. O alemão Theodor Haensch, de 63 anos, nasceu em Heidelberg. Assume as funções de director do Instituto Max-Planck de Garching e é catedrático de física na Universidade de Ludwig-Maximiliam de Munique.
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