“Oligarquia” ameaça democracia na América
Presidente Joe Biden alertou no seu discurso de despedida para a crescente influência do “complexo tecno-industrial” e a “perigosa concentração de riqueza” que abre a porta aos abusos de poder.
O Presidente Joe Biden despediu-se quarta-feira do cargo com um discurso sombrio, em que alertou para os perigos de uma “oligarquia emergente” que ameaça subverter a democracia, numa indireta nada subtil ao sucessor, Donald Trump, e aos seus aliados das grandes empresas tecnológicas.
“Hoje em dia, está a emergir na América uma oligarquia com extrema riqueza, poder e influência que representa uma verdadeira ameaça à nossa democracia, aos nossos direitos e liberdades básicas e a um progresso justo para todos”, avisou Biden num discurso ao país com o qual encerrou uma carreira política com mais de cinco décadas. Recordando o histórico discurso de despedida do Presidente Dwight D. Eisenhower, que alertou em 1961 para os perigos do “complexo militar-industrial”, Biden denunciou o surgimento de um novo “complexo tecno-industrial” responsável por uma “avalancha de desinformação que abre a porta aos abusos de poder”. “A imprensa livre está a ruir, os pilares da sociedade estão a desaparecer e as redes sociais desistiram de verificar os factos”, sublinhou o Presidente cessante, que alertou ainda para os perigos de uma inteligência artificial sem controlo. “A inteligência artificial é o mais importante desenvolvimento tecnológico do nosso tempo, senão de todos os tempos. Temos de garantir que é segura, de confiança e benéfica para toda a humanidade. Nesta era da inteligência artificial, é mais importante que nunca que as pessoas estejam no comando e que sejam os EUA, e não a China, a liderar o seu desenvolvimento”, afirmou Biden.
PORMENORES
INVESTIGAÇÃO SEGUNDA PARTE
Os democratas estão a pressionar o Departamento de Justiça para publicar a segunda parte do relatório da investigação do procurador Jack Smith a Donald Trump, a qual diz respeito às acusações de desvio e ocultação de documentos classificados. A primeira parte concluiu que Trump “teria sido condenado” por subverter as eleições de 2020 se não tivesse sido reeleito.
ALERTA DIREITOS HUMANOS EM RISCO
A ONG Human Rights Watch avisou que o regresso de Trump à Casa Branca representa uma ameaça aos direitos fundamentais nos EUA e no Mundo, mais ainda do que no primeiro mandato. À cabeça das preocupações estão os imigrantes e minorias, que podem ser alvo de perseguição, bem como o “efeito potenciador” sobre os regimes autocráticos de outros países.
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