Onda de choque "enigmática" captada em torno de uma estrela morta

Está localizada a 730 anos-luz de distância da Terra e, tal como o Sol e outras estrelas, orbita o centro da nossa galáxia.

12 de janeiro de 2026 às 13:20
Galáxia Foto: Direitos Reservados
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Um telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO) captou uma misteriosa onda de choque em torno de uma estrela morta, que deixou intrigados os astrónomos, indicou esta segunda-feira a instituição sediada em Garching, na Alemanha.

Em comunicado citado pela agência noticiosa espanhola EFE, o ESO explica que a pequena estrela morta RXJ0528+2838, uma anã branca, não deveria apresentar tal estrutura à sua volta, descrevendo a descoberta como "enigmática" e "impressionante".

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Segundo o ESO, o que foi observado "desafia a compreensão de como as estrelas mortas interagem com o seu ambiente".

"Encontrámos algo nunca antes visto e, mais importante, totalmente inesperado", diz Simone Scaringi, da Universidade de Durham, Reino Unido, coautor principal do estudo, citado no comunicado.

A estrela morta está localizada a 730 anos-luz de distância da Terra e, tal como o Sol e outras estrelas, orbita o centro da nossa galáxia. À medida que se desloca, interage com o gás difundido no espaço entre as estrelas.

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Os astrónomos sabem que nas condições certas, o gás e a poeira expelidos pelas estrelas (material denominado "fluxo de saída") podem colidir com a envolvente de um destes corpos celestes, criando uma onda de choque.

Estas ondas têm geralmente origem no material da estrela central, mas, no caso do corpo celeste estudado, nenhum dos mecanismos conhecidos consegue explicar o que foi observado, ou seja, a origem do fluxo e da nebulosa (nuvem de gás e poeira cósmica) em seu redor é um mistério.

A equipa detetou pela primeira vez uma estranha nebulosidade em torno desta estrela utilizando o Telescópio Isaac Newton, em Espanha, e, apercebendo-se do seu formato invulgar, observou-a com mais detalhe com um instrumento instalado no Very Large Telescope (VLT) do ESO, precisa a EFE.

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Os resultados sugerem uma "fonte de energia oculta", provavelmente um campo magnético forte, questão que deve ser aprofundada, já que "este campo só poderia alimentar uma onda de choque durante algumas centenas de anos".

O futuro Extremely Large Telescope (ELT) ajudará a comunidade astronómica a "detetar e mapear estes sistemas e outros mais ténues com maior detalhe", ajudando a "compreender a misteriosa fonte de energia que permanece inexplicável", adiantou Scaringi.

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