Papa Leão XIV faz apelo ao “desarmamento” da Inteligência Artificial

Leão XIV alerta para perigos da IA sobretudo em três áreas: verdade, trabalho e liberdade.

26 de maio de 2026 às 01:30
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O Papa Leão XIV apela ao desarmamento da Inteligência Artificial (IA). “Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também económica e cognitiva. Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano.” Este é o mote da primeira encíclica do Papa, “Magnifica Humanitas”, apresentada na segunda-feira. No documento, Leão XIV admite que a humanidade se encontra numa encruzilhada: deixar-se guiar pela tecnologia e pelo progresso como princípios únicos sobre os quais se deve construir a nossa civilização; ou pôr no centro a dignidade da pessoa, reconduzindo o progresso técnico à condição de instrumento. Que caminho seguir é a resposta que o Santo Padre procura dar ao longo de mais de 100 páginas. Leão XIV não vê a IA como um inimigo, mas alerta para os seus perigos, sobretudo em três áreas: a verdade, o trabalho e a liberdade. “Uma informação verdadeira não surge dum controlo centralizado ou automatizado. No discurso público, a verdade factual tem uma dimensão racional, uma vez que requer averiguação, correspondência com as fontes e responsabilidade argumentativa”, escreve o Papa. “Quando a questão sobre o verdadeiro perde interesse e se instaura um pragmatismo que se dá por contente com o que parece útil ou eficaz, a vida democrática enfraquece”, considera Leão XIV. Em resumo, numa era em que tudo pode ser manipulado, é necessário preservar uma educação crítica, que nos permita distinguir o verdadeiro do falso.

O segundo ponto da abordagem do líder da Igreja Católica vai para o trabalho, uma das áreas em que ”se manifestam os riscos das novas tecnologias”, adverte o pontífice. “ Em vários setores, isto traduz-se já em novas formas de precariedade e desigualdade, com remunerações muito elevadas para uma minoria altamente especializada e salários cada vez mais reduzidos para uma grande parte da população ativa”, diz. Por isso, alerta, a “IA deve ser acompanhada por escolhas verificáveis em matéria de proteção do emprego, requalificação e participação dos trabalhadores, para que a tecnologia se destine a libertar tempo e capacidades humanas, e não a gerar exclusão”, propõe o Papa.

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Para Leão XIV, “é necessário lutar por políticas ativas que tornem acessíveis a todos a formação contínua (...), sem descarregar nos indivíduos o custo da adaptação às transformações”.

Se a verdade e o trabalho são uma preocupação, a liberdade não o é menos. “A liberdade, na era digital, não é apenas uma questão interior: é também uma questão pública”, que exige regras justas, responsabilidade compartilhada e educação, defende o Santo Padre no texto.

Poder das tecnológicas assusta Santo Padre

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A concentração de dados e poder nas empresas de tecnologia é uma das questões que mais preocupa o Santo Padre. A IA, diz Leão XIV, tende a “reforçar sobretudo o poder daqueles que já dispõem de recursos económicos, competências e acesso aos dados”. “Pequenos grupos muito influentes podem orientar a informação e o consumo, condicionar processos democráticos e incidir sobre dinâmicas económicas em seu próprio benefício”, concretiza o Papa, na encíclica ‘Magnifica Humanitas’ (A magnífica humanidade), dedicada à Inteligência Artificial. “Nas escolhas relativas aos fluxos económicos e às plataformas digitais, na gestão dos dados e dos algoritmos, não se pode permitir que poucos sujeitos orientem sozinhos os processos”, reforça o chefe da Igreja Católica no documento apresentado na segunda-feira. 

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