Paris nublada e ensombrada pela ameaça de novos protestos violentos

Na zona da Praça da Bastilha, um dos locais onde se realizam regularmente protestos, bancos, supermercados, farmácias e lojas de perfumes acautelaram-se.

24 de outubro de 2026 às 10:53
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Paris acordou este sábado nublada e ensombrada pelo receio de novos distúrbios devido às manifestações convocadas, o que levou lojistas e restaurantes a precaverem-se, protegendo as vitrinas com tábuas de madeira.

Na zona da Praça da Bastilha, um dos locais onde se realizam regularmente protestos, bancos, supermercados, farmácias e lojas de perfumes acautelaram-se.

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"As tábuas de madeira esgotaram", disse à agência Lusa Sylvain, um construtor, enquanto entaipava uma loja de roupa na Rue Saint Antoine.

No Boulevard Beaumarchais, Patrick vai fechar mais cedo a sua pequena tabacaria pilhada no sábado passado. 

Além de partirem uma das vitrinas, agora protegida com uma tábua, roubaram cigarros eletrónicos e recargas.

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"Mesmo assim, consegui fechar as portas e não me atacaram fisicamente. Mas o problema são os estragos", lamentou o comerciante à Lusa. 

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FOTO: AP
Paris nublada e ensombrada pela ameaça de novos protestos violentos
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Paris nublada e ensombrada pela ameaça de novos protestos violentos

A polícia encorajou os lojistas a prepararem-se e recorrer, "se possível, a segurança privada", mas alguns proprietários foram mais longe e adquiriram armas de defesa por receio de que se repitam os episódios de violência e pilhagem do fim de semana passado.

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Na armaria 'Armurerie de la Bourse', na zona de Les Halles, onde numerosas lojas foram saqueadas no sábado passado, o proprietário, Yves Gollety, contou à agência Efe que as vendas de material de defesa dispararam na última semana.

"Os comerciantes compram material de defesa, sprays e coisas do género, porque foram agredidos e ficaram com medo", explicou. 

O equipamento mais procurado foram pistolas que disparam bolas de borracha, conhecidas como 'flash-ball', latas de gás pimenta e dispositivos que dispersam gases irritantes, pois não é necessária qualquer autorização.

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Montras entaipadas são visíveis em outras partes da cidade fora dos percursos habituais das manifestações e alguns estabelecimentos optaram por ficar encerrados durante este sábado.

No entanto, a maioria dos cafés e restaurantes parisienses estavam este sábado abertos, como o Tabac St Louis, que o proprietário Claude abriu logo pelas 9:00. 

"Hoje vai ser mais calmo, os manifestantes vão estar rodeados de polícias", afirmou à Lusa.

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Cerca de 70 mil agentes das forças de segurança foram mobilizados para vigiar mais um dia de manifestações em França devido ao risco da "prática de atos de violência" e "saques", segundo o governo. 

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, invocou na sexta-feira a "inúmeros apelos nas redes sociais" à insurreição para reforçar o dispositivo de segurança em 20% relativamente aos 60 mil agentes no sábado passado. 

Claude, de 74 anos, diz estar solidário com os manifestantes, mas também defendeu a necessidade de manter a ordem perante aqueles que cometem crimes. 

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"Eu participei [nos protestos estudantis] de Maio de 1968 e atirei pedras da calçada. Mas fui logo apanhado por dois polícias que me deram uma bastonada", recordou. 

No dia 17 de outubro, entre 550 mil e 800 mil pessoas manifestaram-se em todo o país, resultando na detenção de 2.900 pessoas na sequência de distúrbios e pilhagem que afetaram cerca de três mil estabelecimentos comerciais.

O Governo alistou também várias unidades especiais da polícia, como a RAID, a GIGN ou a BRI, bem como cerca de vinte veículos blindados 'Centaure', 15 canhões de água, helicópteros e drones.

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Na capital, foi apenas permitido um cortejo, mas a Polícia de Paris mudou o itinerário inicial, da Praça da Bastilha até à Praça da Nação, para uma localização menos central, entre a Praça de Itália e a Porta de Vincennes, das 13:00 às 19:00 locais (mais uma hora do que em Lisboa). 

A alteração foi considerada "inaceitável" pela frente sindical que convocou a manifestação e os "coletes amarelos" também pretendem desafiar as ordens das autoridades, organizando protestos em diferentes pontos da cidade. 

"Há inúmeros apelos da ala da extrema-esquerda e da extrema-esquerda radical para que se cometam atos de violência", afirmou o ministro do Interior.

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Nuñez prometeu "uma intervenção das forças de ordem com grande firmeza contra os agitadores".

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