Parlamento venezuelano aprova acordo petrolífero com os Estados Unidos
Acordo petrolífero, saudado como histórico pelo Presidente Donald Trump na sexta-feira e confirmado no dia seguinte por Rodríguez, permite aos Estados Unidos explorar 17 campos petrolíferos venezuelanos.
A Assembleia Nacional (Parlamento) da Venezuela, onde o partido no poder detém maioria absoluta, ratificou o acordo petrolífero com os Estados Unidos, que concederá à administração liderada por Donald Trump o controlo de 17 campos petrolíferos.
"O apoio ao tratado binacional de energia entre a República Bolivariana da Venezuela e os Estados Unidos da América (...) está aprovado", declarou o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, após uma votação por aclamação.
Alguns membros da oposição abstiveram-se, alegando que aguardam a apresentação do contrato.
Grande parte da oposição boicotou as eleições legislativas de 2025, argumentando que a votação não seria justa apenas alguns meses após a polémica vitória de Nicolás Maduro na eleição presidencial, eleição que acusam de ter sido marcada por fraudes.
O acordo petrolífero, saudado como histórico pelo Presidente Donald Trump na sexta-feira e confirmado no dia seguinte por Rodríguez, permite aos Estados Unidos explorar 17 campos petrolíferos venezuelanos com um potencial de produção estimado em 65 mil milhões de barris.
A Venezuela espera lucrar 209 mil milhões de dólares ao longo de 25 anos.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tinha chegada prevista à Venezuela esta terça-feira à noite, provavelmente para assinar o acordo na quarta-feira, de acordo com a agência France-Presse (AFP).
"Quem beneficia que este petróleo fique no subsolo? Os que querem que a rede elétrica continue a falhar, os que querem que não consigamos construir os hospitais que queremos e precisamos de construir, os que querem que construamos menos escolas e os que querem que paguemos salários dignos", questionou Jorge Rodríguez.
"A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo e é o 20.º maior exportador. E há quem queira que esta situação se mantenha", acrescentou, especificando que o conteúdo exato do acordo só seria conhecido após a assinatura do contrato.
O deputado da oposição Luis Emilio Rondon, por sua vez, exigiu maior transparência: "Precisamos e temos a obrigação de saber o que está escrito nas entrelinhas (...), as cláusulas. E, em nome da transparência, exigimos que nos seja dado o texto integral do que foi acordado. (...) Porque não se trata de um acordo qualquer, é um acordo de longo prazo, um documento importante".
Também esta terça-feira os Estados Unidos confirmaram a concessão por 100 anos de parte das reservas de petróleo da Venezuela à empresa privada North American Blue Energy Partners (NABEP), sendo que o Departamento de Defesa norte-americano ficará com 35% da empresa-mãe.
Desde que os Estados Unidos capturaram e depuseram o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro passado durante uma ação militar em solo venezuelano, Washington tem atuado como patrono do Governo agora liderado por Rodríguez e restabeleceu relações diplomáticas com Caracas.
O acordo petrolífero levantou suspeitas em setores que acreditam que a administração Trump não está realmente interessada em promover uma transição democrática na Venezuela, apesar de este ser um dos argumentos utilizados para justificar a captura de Maduro.
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