Partido retalia Bolsonaro e ameaça pedir auditoria às contas da campanha presidencial

PSL está em guerra aberta com o presidente do Brasil.

12 de outubro de 2019 às 17:10
Jair Bolsonaro Foto: Reuters
Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil Foto: Reuters

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Numa resposta no mesmo tom ao pedido de Jair Bolsonaro, para ser realizada uma auditoria externa nas contas do Partido Social Liberal, PSL, pelo qual ele chegou à presidência, os líderes do partido presidencial ameaçaram retaliar o chefe de Estado na mesma moeda.

Os dirigentes do PSL, que preferem por enquanto o sigilo até que uma posição oficial seja anunciada, avançaram esta sexta-feira aos  jornalistas que se Bolsonaro insistir na auditoria às contas do partido, este vai solicitar igualmente uma auditoria, mas, dessa feita, às contas da campanha presidencial que elegeu o governante que agora se virou contra o próprio partido.

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Após reunião em Brasília com outros líderes do partido, Luciano Bivar, presidente do PSL e a quem Jair Bolsonaro e os filhos Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tentam tirar do cargo para assumirem o controle interno da entidade, declarou que a iniciativa do Presidente da República é uma "decisão terminal" que o afasta definitivamente da sigla que o elegeu. E anunciou a convocação de um congresso extraordinário do PSL, onde vai tentar renovar os diretórios nacional e regionais, tirando poder ao clã Bolsonaro.

Entretanto, as retaliações já começaram. Quatro deputados federais do PSL que apoiaram o pedido de auditoria feito por Bolsonaro e que ocupavam cargos em comissões do Congresso foram destituídos sumariamente dessas funções pelo partido, e a advogada que durante toda a a campanha presidencial assessorou e defendeu Jair Bolsonaro foi demitida.

Bivar chegou a ameaçar tirar também do cargo um dos filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, para a qual foi indicado pelo PSL. Jair Bolsonaro respondeu através do Twitter que se Bivar se atrever a destituir Eduardo, nunca se saberá a reação do presidente da República, pois o que dirá numa situação dessas é absolutamente impublicável.

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Conselho Incendiário

O curto áudio vazou, tomou conta das manchetes rapidamente, e a reação dentro do PSL foi imediata e igualmente agressiva. O líder da bancada do PSL na Câmara dos Deputados, deputado Delegado Waldir, afirmou alto e bom som que se Luciano Bivar está "queimado", Jair Bolsonaro está "carbonizado", e evocou as constrangedoras suspeitas de corrupção surgidas contra Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro e as investigações sobre Fake News e desvio de recursos de campanha através de candidaturas fantasmas que podem atingir o presidente da República.

Disputa Suicida 

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Na verdade, a disputa interna no PSL, incendiada pelos filhos de Bolsonaro, é uma guerra verdadeiramente fraticida e suicida. O PSL, que era um partido insignificante mas cresceu meteoricamente de 1 para 53 deputados nas eleições do ano passado graças à inesperada e avassaladora popularidade de então de Bolsonaro, pode ficar reduzido a metade ou menos se, como já se aventa, o presidente deixar o partido.

Mas Jair Bolsonaro, que na sua tumultuada trajetória política já está no nono partido, também tem muito a perder. O PSL foi o único que na altura aceitou deixá-lo ser candidato, pois mais nenhum partido acreditava na vitória do polémico ex-capitão do Exército, e se a sigla for destruída ou fragmentada o governo perde ao menos uma importante parcela do já reduzido apoio incondicional de que ainda dispõe.

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