Paz em Cabinda exclui líder histórico N’Zita Tiago

Foi ontem assinado no Namibe, Angola, o Memorando de Entendimento para a Paz em Cabinda entre o governo angolano e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), da facção liderada por António Bento Bembe. De fora ficou o líder histórico da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), N’Zita Tiago, e a Associação Cívica de Cabinda (Mpalabanda) recentemente extinta pelo Tribunal provincial local, uma decisão que está a ser ainda muito contestada pelos cabindas.

02 de agosto de 2006 às 00:00
Paz em Cabinda exclui líder histórico N’Zita Tiago Foto: Quintiliano dos Santos/Lusa
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O líder da FLEC rejeita o memorando e só admite negociações com o presidente angolano. “Esse memorando não é apoiado por ninguém. O povo de Cabinda não o aceita”, afirmou N’Zita Tiago. “Organizem um referendo no território para o povo de Cabinda se pronunciar. Angola invadiu um território com o qual não tem fronteiras”, defendeu o presidente da FLEC. A UNITA manifestou cepticismo sobre o documento e defendeu como imperativa a participação de N’Zita Tiago. A UNITA considera que a “extinção da Mpalabanda representa um atropelo aos mais sãos princípios de um Estado Democrático e de Direito”.

O documento prevê a atribuição de um estatuto especial a Cabinda e a amnistia para todos os crimes cometidos no conflito armado no território, estando também prevista a desmilitarização das forças militares da FLEC. O documento inclui ainda a reintegração do pessoal proveniente do FCD na vida nacional, com cargos nas Forças Armadas Angolanas, na Polícia Nacional e no executivo provincial, em missões diplomáticas e empresas públicas. O documento foi assinado pelo presidente da Assembleia Nacional de Angola, Roberto de Almeida, e pelo presidente do FCD, António Bento Bembe, na presença de várias congregações católicas angolanas e elementos da uma facção da FLEC.

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