"Pediu um abraço": Homem impede ataque terrorista numa maternidade no Reino Unido ao conversar com o suspeito

Antigo assistente clínico levou uma bomba caseira para o hospital com o objetivo de “matar o maior número possível de enfermeiros”.

25 de março de 2026 às 12:29
Nathan Newby e Mohammad Farooq Foto: X
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Nathan Newby, um paciente hospitalar em Leeds, no Reino Unido, impediu um atentado terrorista numa ala de maternidade ao convencer um homem armado com uma bomba a desistir de cometer o crime, em janeiro de 2023. Agora vai ser condecorado pelo ato que ajudou a travar a tragédia de forma simples, improvável e profundamente humana: ouvi-lo, falar com ele e, quando este pediu, dar-lhe “um abraço”.

Nathan Newby, de 35 anos, vai ser distinguido com a 'George Medal', a segunda mais alta condecoração civil britânica por bravura, depois de ter evitado aquilo que a juíza responsável pelo caso descreveu como uma possível atrocidade no hospital St James’s, em Leeds, a 20 de janeiro de 2023.

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O homem que planeava o ataque, Mohammad Farooq, antigo assistente clínico no hospital, levou consigo uma bomba feita numa panela de pressão até à ala de maternidade, com a intenção declarada de “matar o maior número possível de enfermeiros”. Mais tarde, seria condenado a uma pena mínima de 37 anos de prisão, de acordo com jornal The Guardian.

Na noite em que o ataque estava planeado, Nathan Newby encontrava-se internado no hospital. Saiu para fumar e apanhar “um pouco de ar fresco” quando reparou num homem de mãos nos bolsos, a “abanar-se como se tivesse recebido más notícias”. Sem imaginar a gravidade da situação, aproximou-se.

“Fui ter com ele para ver se estava bem, para ver se o conseguia fazer sentir-se melhor. Disse-lhe: ‘Como estás, amigo? Estás bem?’ E foi a partir daí”, conta Nathan Newby.

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A conversa prolongou-se. Segundo Nathan Newby, Farooq acabou por admitir que estava ali “por algum tipo de vingança” e, cerca de uma hora depois, revelou que tinha uma bomba consigo.

“Percebi pela voz dele que não estava a brincar… Então pedi para ver, só para confirmar, e ele abriu aquilo calmamente e mostrou-me.”

Perante a confirmação da ameaça, Newby admitiu ter sentido medo, mas disse que a sua principal preocupação foi afastar Farooq do edifício, de forma a proteger doentes, profissionais de saúde e recém-nascidos. “Se aquilo explodisse, ia ser só eu e ele. Queria garantir que fosse só eu e ele e mais ninguém”, relembra o 'herói' britânico.

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Com esse objetivo, conduziu o suspeito para uns bancos próximos, longe da ala de maternidade, e tentou perceber o raio de impacto do engenho. A decisão foi, nas suas palavras, “puro instinto”. Durante várias horas, os dois continuaram a conversar. Farooq falou-lhe da família, dos filhos e, num momento particularmente insólito e comovente, pediu-lhe contacto físico.

“Ele pediu um abraço algumas vezes, e eu disse que sim.”

Foi já depois dessa longa conversa que Farooq lhe pediu para chamar a polícia, dizendo-lhe: “Liga para a polícia antes que eu mude de ideias.”

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Ao condenar Farooq, a juíza Justice Cheema-Grubb foi clara ao sublinhar o papel decisivo de Nathan Newby: “A sua decência e bondade, em 20 de janeiro de 2023, evitaram uma atrocidade numa ala de maternidade de um grande hospital britânico.”  A magistrada acrescentou ainda que o testemunho de Newby esteve “entre os mais notáveis que este tribunal alguma vez ouviu”.

Apesar da distinção e do reconhecimento público, Newby rejeita a ideia de heroísmo. Descreve-se como alguém que estava “no sítio certo à hora certa” e mostra até alguma empatia pelo homem que tentou cometer o atentado. “Provavelmente é um tipo porreiro. Estava era com a cabeça no sítio errado, no momento errado”, diz acerca de Farooq.

Farooq foi descrito durante o julgamento como um “terrorista solitário auto-radicalizado”, inspirado pelo autoproclamado Estado Islâmico, embora também motivado por um ressentimento antigo em relação a enfermeiros da enfermaria onde tinha trabalhado.

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