Pelo menos 374 mortos e 1,9 milhões de afetados por inundações e ciclones no sul de África

El Niño e La Niña são fases opostas do ciclo El Niño-Oscilação Sul no Pacífico equatorial que alteram o clima global.

25 de fevereiro de 2026 às 15:11
Inundações em Moçambique Foto: Luisa Nhantumbo/Lusa
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Pelo menos 374 pessoas morreram e quase 1,9 milhões foram afetadas pelas inundações e ciclones que atingiram o sul do continente africano desde outubro de 2025 até meados deste mês, informou esta quarta-feira a ONU.

"A África Austral passou da seca provocada pelo El Niño em 2023-24 para as fortes chuvas e inundações súbitas associadas à La Niña em 2025-26, que afetaram Moçambique, Madagáscar, África do Sul, Zimbábue, Maláui e Zâmbia", afirmou o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em comunicado.

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El Niño e La Niña são fases opostas do ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS) no Pacífico equatorial que alteram o clima global.

El Niño aquece as águas e provoca secas e inundações, enquanto La Niña arrefece o oceano, causando ventos e o efeito contrário.

Segundo a ONU, das quase 1,9 milhões de pessoas afetadas, estima-se que 723.000 foram devido às fortes chuvas e inundações em Moçambique, enquanto "mais de 681.000 foram afetadas por ciclones em Madagáscar".

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Além disso, cerca de 175.000 pessoas - do total de quase 1,9 milhões - sofreram deslocamento forçado, 1.400 ficaram feridas e 293.000 habitações foram danificadas.

"As graves inundações e os ciclones sucessivos causaram mortes, deslocamentos generalizados, a destruição de lares e meios de subsistência e grandes perdas de colheitas, especialmente em Madagáscar e Moçambique", sublinhou o OCHA.

Com a previsão de novas chuvas até junho próximo, advertiu a agência da ONU, o risco de inundações "continua elevado, o que agrava a insegurança alimentar, os surtos de doenças e retarda os trabalhos de recuperação".

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Embora os parceiros humanitários da região tenham colaborado com os governos para fornecer assistência vital, como alimentos, água potável, saneamento, cuidados de saúde de emergência e abrigo temporário, as operações ainda enfrentam "desafios significativos, como financiamento limitado".

Além disso, estradas e pontes inundadas e danificadas impediram o acesso humanitário, isolando comunidades e atrasando a entrega da ajuda, segundo o OCHA.

Da mesma forma, as chuvas constantes e a saturação das bacias fluviais prolongaram os deslocamentos e aumentaram o risco de surtos de doenças transmitidas pela água, o que coloca pressão adicional sobre os frágeis sistemas de saúde.

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