Pentágono quer transmitir ao vivo execução por fuzilamento de um homem no Texas
Nidal Malik Hasan matou 13 pessoas numa base militar em 2009 e foi condenado à morte. Execução está marcada para 3 de dezembro.
A execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, antigo psiquiatra do exército norte-americano, natural da Virginia, está agendada para o próximo dia 3 de dezembro, no Texas, e o momento será transmitido ao vivo, segundo garantiu o secretário de Defesa, Pete Hegseth, num programa de televisão. "Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público."
Condenado pelo homicídio de 13 pessoas, e por ferir outras 32, num tiroteio na base militar de Fort Hood, em 2009, Hegseth quer garantir que "as pessoas entendam que esse tipo de ações tem consequências sérias." Uma fonte do Pentágono explicou depois que haverá uma transmissão ao vivo, que teria sido, inclusivamente, apoiada por Donald Trump.
Questionado se Hasan, de 53 anos, teria feito algum pedido final ou entrado em contacto com o presidente Donald Trump, Hegseth foi lacónico: "Não me interessa! Vemo-nos no dia 3 de dezembro."
A acontecer, será a primeira execução pública nos Estados Unidos em mais de 65 anos e a primeira por fuzilamento desde o final da 2.ª Guerra Mundial. Surge pouco tempo depois da polémica em torno da execução de Christa Pike, no Tennessee, que sobreviveu a duas injeções letais.
John Mills, advogado que trabalha com presos condenados à morte, contou à BBC que a decisão de transmitir a execução é "sem precedentes na era moderna" e acontece num "terreno jurídico incerto". "Tentar transmitir ao vivo uma execução por fuzilamento é pouco mais do que uma tentativa da administração Trump de chamar a atenção. É improvável que aconteça, muito menos que traga qualquer aparência de justiça", acrescentou.
Segundo o especialista, o processo de apelação de Hasan ainda não terminou e é provável que o ex-militar interponha recurso da condenação e da sentença num tribunal federal, o que provavelmente suspenderá a execução.
Já Eugene R. Fidell, professor da Faculdade de Direito de Yale, disse à BBC que foi uma "decisão realmente infeliz". "Transmitir uma execução ao vivo é algo tão fora da Idade Média. De certa forma, como sociedade, já superamos isto, pelo menos era o que eu pensava..."
Embora tenham ocorrido mais de 2.700 execuções em 17 países no ano passado, apenas dois realizaram-nas publicamente. Segundo a Amnistia Internacional, 11 execuções públicas tiveram lugar no Irão em 2025 e outras seis no Afeganistão.
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