Perto de 25.000 espanhóis manifestaram-se hoje em defesa do sistema público de pensões
Os manifestantes empunharam cartazes com palavras de ordem como "Pensões dignas", "Pão, trabalho e dignidade" e "Blindar as pensões".
Cerca de 25.000 pessoas de toda a Espanha, segundo dados da Delegação do Governo em Madrid, manifestaram-se hoje na capital espanhola para defender o sistema público de pensões e rejeitar qualquer tentativa de privatização, em plena pré-campanha eleitoral.
A manifestação, convocada pela Coordenadora Estatal em Defesa do Sistema Público de Pensões (COESPE), reivindicou medidas para garantir o poder de compra dos pensionistas e reforçar a sua proteção.
À cabeça do desfile, a porta-voz nacional da COESPE, Francisca López, exigiu que as pensões sejam atualizadas em função do Índice de Preços no Consumidor (IPC) real, uma vez que os aumentos atuais não compensam a subida do custo de vida e o encarecimento do cabaz de compras.
Com uma taxa de inflação homóloga de 4,9% em Espanha, em setembro, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a coordenadora denunciou a perda de poder de compra dos pensionistas perante a escalada contínua dos preços.
"Temos menos capacidade de compra do que em janeiro [quando inflação estava a 2,3%] e, para 51,3% dos pensionistas, a pensão não permite chegar ao fim do mês", asseguraram os representantes da Unidade de Ação das plataformas e movimentos de pensionistas das localidades e comunidades autónomas do país.
Vários coletivos de pensionistas de toda a Espanha juntaram-se à convocatória da COESPE para exigir também que a pensão mínima seja equiparada ao salário mínimo interprofissional (SMI) líquido, atualmente fixado em 1.221 euros mensais, e que seja reposta a prestação compensatória pela perda de poder de compra, paga no final de cada ano.
Outro dos pontos centrais das reivindicações do movimento foi a rejeição de qualquer tentativa de privatização do sistema público de pensões, perante as "contínuas e intoleráveis tentativas de privatização total ou parcial" das pensões.
Esta reivindicação surge em plena pré-campanha eleitoral para as eleições legislativas de 29 de novembro, num contexto em que as pensões passaram a estar no debate político, depois de dirigentes do PP e do Vox se terem pronunciado sobre a sustentabilidade futura do sistema de pensões em Espanha.
"Independentemente de quem governe, os direitos e as pensões públicas defendem-se", reivindicaram os representantes da COESPE. A frase foi entoada pelos manifestantes durante o percurso pelas ruas de Madrid, entre Atocha e a rua de Alcalá.
Por sua vez, a Associação de Reforma Antecipada sem Penalizações (ASJUBI40) exigiu que, antes do final da legislatura, sejam revogados os coeficientes de redução que penalizam quem se reforma antecipadamente após ter descontado durante 40 ou mais anos.
O vice-presidente e porta-voz da associação, Santiago Menchero, é um dos afetados por esta situação que, segundo a organização, prejudica cerca de 900.000 pessoas em Espanha.
Em declarações à agência EFE, manifestou a sua indignação perante uma penalização que afeta homens e mulheres que começaram a trabalhar em idades precoces, alguns aos 14 anos, e que acumulam mais de 40 anos de descontos.
O Movimento Galego em Defesa das Pensões e dos Serviços Públicos (MODEPEN) destacou a situação das mulheres, que enfrentam uma diferença de 29,4% no valor médio das pensões, agravada por um sistema que favorece carreiras profissionais longas e sem interrupções.
De acordo com os dados mais recentes relativos às pensões pagas pela Segurança Social, referentes a agosto, a pensão média de velhice foi de 1.267,48 euros para as mulheres, contra 1.795,65 euros para os homens, o que representa uma diferença de 528,17 euros.
Representantes políticos, incluindo membros da coligação de esquerda Frente Amplio, também se juntaram à manifestação. Entre as propostas apresentadas, defenderam que nenhuma pensão seja inferior ao salário mínimo, (1.221 euros) e que a idade da reforma volte a ser fixada nos 65 anos.
A pensão média de velhice situou-se nos 1.576,1 euros mensais em setembro, de acordo com os dados mais recentes da Segurança Social. Já a pensão média do conjunto do sistema, que inclui outras prestações, como as pensões de sobrevivência e por incapacidade permanente, foi de 1.374,6 euros.
"Se estamos a aumentar o salário mínimo porque o custo de vida não para de subir e os salários têm de continuar a aumentar, é lógico que as pensões aumentem ao mesmo ritmo que o salário mínimo", declarou aos jornalistas Ada Colau, candidata da Frente Amplio à Presidência do Governo e cabeça de lista por Barcelona.
Por sua vez, Emilio Delgado, do partido Más Madrid e cabeça de lista da Frente Amplio por Madrid nas eleições legislativas do próximo dia 29 de novembro, afirmou que o sistema público de pensões não só é "sustentável", como também pode ser "melhorado".
Os manifestantes empunharam cartazes com palavras de ordem como "Pensões dignas", "Pão, trabalho e dignidade" e "Blindar as pensões".
A manifestação terminou na rua de Alcalá, junto à estação de metro de Sevilha, onde as associações de pensionistas manifestaram a sua solidariedade com outros movimentos sociais "em luta", nomeadamente os que defendem a saúde e a educação públicas, os direitos dos educadores de infância e o acesso a uma habitação digna.
Posteriormente, os manifestantes dirigiram-se à Puerta del Sol para manifestar o seu apoio às pessoas acampadas que reivindicam o direito a uma habitação digna.
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