Piloto de Pablo Escobar tinha o telefone de George Bush
Quando Escobar foi morto a tiro em Baton Rou, Bush era vice-presidente dos EUA.
Um dos mistérios dos crimes ordenados pelo narcotraficante colombiano Pablo Escobar, e descritos pelo seu filho Juan Pablo Escobar no livro ‘Pablo Escobar – O Que o Meu Pai Nunca Me Contou’, agora lançado em Portugal, é o facto de no cadáver do piloto norte-americano Barry Seal, que o líder do Cartel de Medellín mandou assassinar após uma traição, ter sido encontrado o número de telefone direto de George Bush.
A 19 de fevereiro de 1986, data em que o ex-amigo de Escobar, responsável pelo transporte de muitos milhões de dólares em cocaína, foi morto a tiro em Baton Rouge, no estado do Lousiana, o futuro ocupante do gabinete oval da Casa Branca (e pai do também futuro presidente George W. Bush) era vice-presidente dos EUA desde 1981, cargo para o qual fora escolhido por Ronald Reagan, e deixara de ser diretor da CIA em 1977.
"Quando Barry morreu, Bush era a pessoa encarregue de liderar a luta contra as drogas. É uma grande contradição que é difícil de explicar", disse Juan Pablo Escobar ao CM. O primogénito de Pablo Escobar, que tinha 16 anos em 1993, quando o pai morreu num tiroteio com agentes colombianos que o localizaram num esconderijo em Medellín, veio a Portugal para falar do seu segundo livro, lançado dois anos depois de ‘Pablo Escobar, o Meu Pai’, em que descreve conversas com inimigos, vítimas e aliados do narcotraficante.
O filho de Pablo Escobar recorda que o seu pai lhe chegou a dizer que "acabamos por trabalhar para aqueles que nos perseguem", referindo-se à participação que agências federais norte-americanas, como a CIA e a DEA (dedicada ao combate às drogas) teriam no tráfico de cocaína da Colômbia para os EUA, mas sem negar os crimes cometidos pelo pai, aponta outras facetas, como a construção de casas, pavilhões desportivos e campos de futebol para os mais pobres. "Fazia-o porque foi pobre e entendia as necessidades das famílias completamente abandonadas à sua sorte pelo Estado. Usou recursos do narcotráfico para servir as comunidades mais pobres", disse ao CM.
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