Polémica em França com serviço de TGV que proíbe entrada a crianças

Operadora nacional francesa defende a medida e lembra que é apenas destinada a menores de 12 anos e que o espaço é reduzido. Mas há quem ache discriminação.

23 de janeiro de 2026 às 17:15
TGV Foto: Direitos Reservados
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O serviço ferroviário de alta velocidade francês TGV INOUI está debaixo de fogo de vários quadrantes da sociedade depois de ter criado uma nova classe 'premium' que proíbe a entrada de crianças em determinadas carruagens.

Além de bilhetes flexíveis e um serviço de atendimento personalizado, a oferta promete uma "carruagem de primeira classe exclusiva" projetada para "privacidade" e "acesso a um espaço tranquilo e reservado a bordo". Destinada a um número limitado de passageiros, "não são permitidas crianças para garantir o máximo de conforto no espaço reservado".

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A recente medida suscitou críticas de instituições francesas e de cidadãos, que descreveram a restrição como "discriminação".

“Entendo a necessidade de silêncio no TGV quando se quer trabalhar, mas também acho que isso não deve acontecer à custa de um grupo social, principalmente crianças. E acho que é uma oportunidade para repensar os espaços para crianças e famílias também”, referiu Stéphanie d'Esclaibes, empresária e criadora de um famoso podcast.

“É uma prova de que o declínio da taxa de natalidade também é cultural; torna as crianças tão raras que nos torna intolerantes à sua presença”, escreveu o economista Maxime Sbaihi na rede social X.

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"Quando se dá a impressão de que o conforto dos adultos depende da ausência de crianças, é chocante", disse por sua vez Sarah El Haïry, comissária francesa para a infância.

A operadora nacional de comboios de passageiros de França, entretanto, também reagiu a esta polémica e defendeu a medida. Lembrando que a regra se aplica apenas a crianças com menos de 12 anos, vincou que estes lugares representam apenas 8% do espaço disponível nos comboios que operam de segunda a sexta-feira.

“Posso adiantar que sofremos pressões durante anos para restringir o acesso de crianças a certas áreas dos nossos comboios e sempre recusámos fazê-lo", adiantou ainda um porta-voz da empresa. 

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