Polícia aperta cerco ao terror islâmico
Pelo menos 16 pessoas, 14 marroquinos e dois argelinos, foram ontem detidos em Espanha numa megaoperação policial contra o terrorismo islâmico. Segundo as autoridades, os detidos dedicavam-se ao recrutamento de activistas para serem enviados para campos de treino de terroristas e para combaterem no Iraque, Afeganistão e Norte de África, onde a al-Qaeda multiplicou a sua actividade nos últimos meses. As investigações foram coordenadas pelo juiz Baltasar Garzón, da Audiência Nacional.
Doze dos alegados terroristas foram detidos na Catalunha, dois em Madrid e dois em Málaga. O número de detidos poderá ainda aumentar, uma vez que as investigações prosseguiam ontem naquelas regiões. Durante a operação policial não foram encontradas armas ou explosivos, mas apenas documentação diversa, como manuscritos, agendas, computadores e telemóveis, bem como dados referentes à Jihad (guerra santa). Entre os detidos encontra-se Taoufik Cheddadi, imã da mesquita de Santa Coloma de Gramenet.
As detenções foram efectuadas na sequência de uma investigação que contou com a colaboração das Brigadas Provinciais de Informação de Barcelona e Málaga, bem como da polícia de Aranjuez (Madrid), a partir de indícios obtidos nas operações ‘Chacal’ e ‘Camaleão’, que a polícia espanhola levou a cabo em Janeiro do ano passado. Na altura foram detidas 22 pessoas em Madrid, Catalunha e País Basco, membros de duas células jihadistas de captação e apoio logístico. Durante as mais de trinta buscas efectuadas foi apreendida numerosa documentação e material informático que, depois de uma análise minuciosa, conduziu a esta nova investigação. De resto os dois grupos possuem fortes ligações.
Milão retira acusações
Estas novas detenções de alegados islamitas em Espanha ocorreram no dia em que um tribunal de Milão (Itália) retirou as acusações de terrorismo que recaíam sobre o imã da mesquita Viale Jenner, Abu Imad. O clérigo muçulmano, juntamente com outros 35 suspeitos, estava no centro de uma série de investigações.
LONDRES EXTRADITA TERRORISTA
ww Um cidadão norte-americano, a primeira pessoa extraditada pelo Reino Unido para ser sujeita a acusações de terrorismo, vai ser processado esta semana num tribunal federal de Nova Iorque.
Syed Hasmi, de 27 anos, é acusado de ter fornecido apoio material à al-Qaeda. Concretamente, o suspeito terá fornecido equipamento militar a terceiros, que depois o faziam chegar a colaboradores da rede terrorista de Osama bin Laden no Paquistão. O material fornecido à al-Qaeda destinava-se a ser utilizado contra as forças norte-americanas no Afeganistão.
Refira-se que Hashmi e outros suspeitos, cujos nomes não foram divulgados, estão formalmente acusados de conspiração para fornecimento de apoio material à al-Qaeda, no período entre Janeiro de 2004 e Maio do ano passado. O norte-americano deverá ser ainda hoje presente a tribunal, podendo vir a ser processado amanhã.
29 suspeitos islamitas estão a ser julgados em Espanha pelos atentados terroristas de 11 de Março de 2004.
191 pessoas morreram nos ataques de 11-M e mais 1700 ficaram feridas.
BALTASAR GÁRZON
O super-juiz espanhol está encarregue de investigar o terrorismo em Espanha, quer a nível interno (terrorismo basco) quer no que se refere aos extremistas islâmicos.
JIHAD ou guerra santa é o termo normalmente utilizado para designar a guerra dos extremistas islâmicos contra alvos ocidentais.
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