Polícia brasileira diz que se enganou e não prendeu o assassino do ator Rafael Miguel
Notícia da prisão de Cupertino, fugitivo há um ano e quatro meses e um dos homens mais procurados do Brasil, tinha sido anunciada horas antes.
Numa enorme trapalhada, a polícia brasileira desmentiu na tarde desta quarta-feira ter conseguido prender no estado do Paraná, sul do Brasil, o fugitivo Paulo Cupertino Matias, acusado das mortes em Junho do ano passado do ator Rafael Miguel, então com 22 anos, e dos pais do jovem, João Alcísio Miguel, de 52, e Míriam Selma Miguel, de 50. A notícia da prisão de Cupertino, fugitivo há um ano e quatro meses e um dos homens mais procurados do Brasil, tinha sido anunciada horas antes e teve grande repercução, primeiro na TV Globo, onde Rafael Miguel trabalhou, e no site de notícias da emissora, o G1, e depois em toda a imprensa.
A meio da tarde, porém, o Director-Geral da Polícia de São Paulo, Rui Ferraz Fontes, que tinha divulgado a informação à imprensa, veio a público dizer o que ninguém esperava, que tudo não tinha passado de uma confusão da polícia do Paraná. Segundo Fontes, agentes da Polícia Militar daquele estado do sul do Brasil intercetaram numa estrada perto da cidade de Centenário um motorista que, de acordo com a nova versão, se parece muito com Paulo Cupertino Matias.
Ainda de acordo com o chefe máximo da polícia de São Paulo, os agentes, provavelmente eufóricos com a suposta proeza da prisão de um dos fugitivos mais procurados do Brasil, precipitaram-se em anunciar a prisão. Fontes adiantou que a Polícia Militar do Paraná faria ainda esta quarta-feira um desmentido público da prisão.
Até perto das 15 e 30 locais, 18 e 30 em Lisboa, no entanto, esse desmentido ainda não tinha acontecido. Nem ninguém, seja da Tv Globo ou da cúpula da polícia, do Paraná ou de São Paulo, ainda tinha explicado como é que se divulga uma notícia de tanto impacto sem a sua veracidade ser atestada correctamente.
Paulo Cupertino Matias, considerado um homem violento pela família e vizinhos, matou Rafael Miguel e os pais do ator à porta da casa onde vivia, na zona sul de São Paulo. Ele não aceitava de forma alguma o namoro da filha com o ator, e, nesse dia, quando Rafael Miguel e os pais chegaram à porta da casa dele para tentarem conversar e fazê-lo aceitar o relacionamento, Cupertino empunhou de repente uma arma e, sem nem querer ouvir ninguém, disparou 13 tiros contra o jovem, o pai e a mãe dele, que morreram no local.
Mostrando ousadia, Paulo Cupertino Matias foi a um registo civil no sul do país e conseguiu tirar novos documentos de forma legal, com outro nome e outro número de contribuinte. Ele foi a uma pequena cidade no interior do Paraná, Jataízinho, apresentou uma certidão de nascimento, essa sim, falsa, com outro nome, e conseguiu dessa forma uma nova identidade, descoberta e largamente divulgada pela polícia na imprensa esta segunda-feira.
O crime chocou o Brasil inteiro em 2019 e teve imensa repercussão, tanto pela brutalidade quanto por Rafael Miguel ser bastante conhecido. Ele começou a fazer papéis na televisão ainda criança, nomeadamente em publicidade, e depois seguiu a carreira nas novelas, inclusive na TV Globo.
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