Polícia brasileira invade casa errada e agarra moradora inocente pelo pescoço
Quando se aperceberam do engano, as autoridades simularam o gesto de "enviar beijinhos" com as mãos.
Numa acção violenta e totalmente fora dos protocolos que as forças de segurança deviam seguir, agentes da Polícia Civil (Judiciária) da cidade brasileira de Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, entraram à força na residência de uma família mesmo tendo sido informados de que estavam na casa errada, apontaram armas para a cabeça da moradora e ainda a agarraram pelo pescoço para evitar que filmasse a situação. A dona da casa, Tainá Fontenele, contou à imprensa que, ao se convencerem finalmente de que tinham invadido a casa errada, os polícias ainda riram dela e mandaram beijinhos com as mãos.
A desastrada e truculenta operação aconteceu quinta-feira, mas só foi conhecida esta sexta, 12 de Abril, após começar a repercutir na imprensa e nas redes sociais. Os agentes, munidos de um mandado de prisão contra uma pessoa que ninguém na vizinhança conhece, chegaram à residência da família perto das seis horas da manhã e começaram a esmurrar o portão, acordando todos na casa e nas casas vizinhas em sobressalto.
Tainá e o marido inicialmente imaginaram estar a ser alvo de assaltantes, mas depois perceberam que era a polícia e tentaram saber o que estava a acontecer. Quando a polícia disse o nome da pessoa que iam prender e o casal informou que não conhecia, os agentes ficaram ainda mais agressivos, rebentaram a fechadura do portão e invadiram a residência, no Parque Industrial Santo António, já com as armas em punho.
De repente, conta Tainá, que é empresária, a sala dela estava cheia de agentes, apontando as armas directamente para o rosto dela, que tinha atrás de si a filha de nove anos com o irmãozinho de somente dois meses ao colo, chorando muito. Uma agente feminina, ao perceber que a empresária estava a filmar a invasão e reclamava pelo direito de chamar um advogado, agarrou-lhe o pescoço e apertou até ela parar a gravação.
Quando tudo foi esclarecido, os agentes começaram a rir e um antes de sair mandou beijos para Tainá, desafiando, vai lá na Corregedoria (o órgão interno da polícia que apura crimes cometidos por agentes) fazer queixa, não vai dar em nada, a gente é da polícia. Parece que ele tinha razão, pois, ao saber da situação, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, limitou-se a divulgar uma nota dizendo que apura se aconteceu algum erro e algum excesso, mas que, numa primeira análise, os agentes agiram dentro dos parâmetros legais.
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