Polícia Federal acusa Temer de liderar grupo que desvia recursos públicos
De acordo com o relatório oficial, vários políticos pertencem à organização criminosa.
Um relatório da Polícia Federal (PF) do Brasil entregue na noite desta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusa o presidente da República daquele país, Michel Temer, de comandar uma grande grupo criada com o fim de desviar avultados recursos públicos, que terá garantido milhões ilícitos ao governante.
De acordo com a PF, desse "quadrilhão" - como a organização é denominada em diversos pontos do documento - fazem parte ainda vários ministros, ex-ministros, deputados e ex-deputados, entre eles o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, todos do partido de Temer, o PMDB.
O relatório, que dá por finalizada uma longa investigação, diz que da organização criminosa, que foi criada antes de Temer assumir a presidência, em Maio de 2016, fazem parte ainda os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, bem como os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, este último preso na semana passada depois de terem sido descobertos mais de 13 milhões de euros em dinheiro vivo escondidos em caixas num apartamento que ele usava como "bunker" na cidade de Salvador da Bahia.
Além deles e de assessores presidenciais, a organização criminosa, diz a PF, tinha também como membro de destaque Eduardo Cunha, preso desde o ano passado pela operação anti-corrupção Lava Jato.
A Polícia Federal descreve Cunha como o principal operador do esquema, que cobrava "luvas" elevadas para deputados e ministros do PMDB apoiarem projectos e defenderem interesses de grandes grupos empresariais, através do desvio de recursos de contratos com órgãos públicos. Mas o chefe máximo da organização, realça a investigação, era e continua a ser o presidente Michel Temer, a quem cabia dar um aspecto legal e oficial aos negócios ilícitos feitas por Eduardo Cunha nos bastidores.
Pela lei brasileira, Temer, por actualmente ser chefe de Estado, não pode ser julgado por atos cometidos antes de assumir esse cargo. Mas a Polícia Federal garante que a organização criminosa continua ativa até hoje e a praticar crimes, o que permite levar o presidente a julgamento se o parlamento autorizar.
Ainda de acordo com o relatório entregue ao Supremo Tribunal, as negociatas atribuídas ao grupo presidencial terão rendido a Temer pelo menos 8,5 milhões de euros, só no que foi possível apurar até agora. O relatório vai ser enviado agora à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se acolhe as acusações e apresenta denúncia contra os suspeitos.
Na semana passada, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciou outros altos dirigentes do partido de Temer, mas dessa feita ligados ao Senado, igualmente por formação de outra organização criminosa paralela à revelada neste relatório. Janot também já apresentou denúncia por corrupção contra Temer em Junho, que foi travada pela Câmara dos Deputados, e deve apresentar pelo menos mais uma denúncia contra o chefe de Estado até ao final desta semana, quando deixa o cargo. (FIM).
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