Presidente polaco recusa assinar lei para financiar defesa com dinheiro europeu
Em alternativa, sugeriu que se usassem recursos nacionais para investir na defesa.
O presidente polaco, Karol Nawrocki, recusou esta terça-feira promulgar a lei que permitiria ao país aceder a cerca de 44 mil milhões de euros de empréstimos preferenciais para a defesa, argumentando que o país ficaria ainda mais dependente de Bruxelas.
Em alternativa, sugeriu que se usassem recursos nacionais para investir na defesa.
Sucessivos governos polacos têm aumentado a despesa em defesa depois de a Federação Russa ter invadido a vizinha Ucrânia, em 2022.
Mas enquanto o governo liberal de Donald Tusk quer coordenar esforços com a União Europeia (UE), o presidente nacionalista tem provado ser mais eurocético e mantido uma relação amigável com Donald Trump.
Desde que tomou posse em 2025, Nawrocki tem-se posicionado como o principal opositor ao primeiro-ministro, vetando várias das suas leis.
A Polónia deveria ser o principal beneficiário do programa de empréstimos de 150 mil milhões de euros, lançado pela União Europeia, denominado SAFE, acrónimo de Security Action for Europe, para desenvolver a indústria europeia de defesa.
O governo preparou uma lista de 139 projetos, 30 dos quais destinados ao reforço das fronteiras orientais, e prometeu que 80% do dinheiro iria para as empresas polacas.
Nawrocki e o principal Partido da oposição, que o apoia, o nacionalista e conservador Lei e Justiça (PiS, na sigla em Polaco) têm criticado a participação polaca no SAFE.
Argumentam que o dinheiro vem com condições, tornando a Polónia mais dependente da Alemanha, e encoraja aquisições aos produtores europeus, com prejuízo dos norte-americanos.
"A independência polaca não tem preço", disse o líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, em fevereiro. "O que nos propõem é uma Polónia sob a bota alemã e nós rejeitamos esta bota alemã".
Entretanto, os embaixadores dos EUA junto da UE e da NATO, Andrew Puzder e Matthew Whitaker, respetivamente, já criticaram iniciativas com a SAFE e o Programa da Indústria de Defesa Europeia, por restringirem o acesso ao mercado por parte das empresas norte-americanas e, assim, "minarem a defesa coletiva".
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