Prisão perpétua para pai e filho que perseguiram e mataram jovem afro-americano de 25 anos
Família de Ahmaud Arbery chorou em tribunal e lembrou o filho que foi morto num crime de racismo nos EUA.
Terminou com condenações a prisão perpétua o chocante caso da morte de Ahmaud Arbery, um cidadão afro-americano de 25 anos que foi perseguido e morto a tiro num bairro do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, em fevereiro de 2020. Gregory McMichael, um ex-polícia de 66 anos, e o filho Travis, de 35 anos, foram sentenciados esta sexta-feira.
Ahmaud Arbery foi perseguido e ameaçado por pai e filho que seguiam num camião. O jovem de 25 anos acabou por ser encurralado e, depois de uma briga, Travis alvejou três vezes Arbery. Em tribunal, o caso foi considerado um "linchamento em plena luz do dia". William Roddie Bryan, um vizinho dos dois familiares, juntou-se à perseguição a Arbery e registou o acontecimento em vídeo, acabando condenado por duas acusações de homicídio. Enfrentará prisão perpétua com direito a liberdade condicional.
A sentença foi lida esta sexta-feira em tribunal pelo juiz Timothy Walmsley que prestou um minuto de silêncio em memória do jovem de 25 anos. O juiz lembrou Arbery como um "jovem com sonhos" que tinha saído de casa para correr e acabou por "correr para tentar salvar a sua própria vida".
A mãe de Arbery, Wanda Cooper-Jones, referiu em tribunal, antes da leitura da sentença, que nada traria o filho de volta mas que fosse qual fosse a condenação, ajudava "a encerrar este capítulo difícil". "O homem que matou o meu filho sentou-se nesta sala todos os dias com o seu pai. Eu nunca mais terei essa oportunidade. Nem ao jantar, nem durante umas férias, nem no seu casamento", disseem tribunal Marcus Arbery, pai de Ahmaud.
O dia do crime
O jovem não parou quando questionado pelos dois homens, mas acabou intercetado. Travis abandonou a viatura com a espingarda nas mãos e envolveu-se numa luta com o jovem de 25 anos. Durante essa briga, Arbery acabou por ser atingido por três tiros.
Dois meses depois do crime, foi divulgado um vídeo que comprovou todos os acontecimentos. Durante este tempo, os dois criminosos gozaram de total liberdade, como se nada tivesse acontecido.
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