Procurador-Geral quer investigação de Dilma e Lula

Rodrigo Janot, vai fazer pedido ao Supremo Tribunal Federal.

Foto: Reuters
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O Procurador-Geral da República brasileiro, PGR, Rodrigo Janot, vai pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigações contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva por suspeita de envolvimento no mega-escândalo de desvios descoberto na Petrobrás. Será a primeira vez que Dilma e Lula passarão à condição de suspeitos investigados, pois até agora, apesar das inúmeras citações de outros suspeitos aos seus nomes, não eram alvos de qualquer processo.

Janot vai fundamentar os pedidos de investigação contra Dilma e Lula em dois factos distintos, o depoimento colaborativo do senador Delcídio Amaral, ex-líder do governo no Senado, e as escutas divulgadas semanas atrás envolvendo conversas entre a presidente e o seu antecessor. Na sua delacção premiada, Delcídio, que chegou a ficar quatro meses preso antes de fazer o acordo com a justiça, garante que quem comandava o esquema de desvios milionários na Petrobrás era o ex-presidente Lula e que Dilma tinha conhecimento de tudo mas fingia não saber.

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No outro crime argumentado pelo Procurador-Geral, a suspeita é de que Dilma, ao nomear semanas atrás Lula da Silva como ministro da Casa Civil, cuja posse foi suspensa dois dias depois pelo Supremo Tribunal, teve como intento ajudar o ex-presidente a conquistar, como membro do governo, privilégio de foro e fugir da alçada do juíz Sérgio Moro, da primeira instância, que o investigava por corrupção. Escutas divulgadas na altura mostraram Dilma a avisar Lula por telefone de que lhe estava a enviar o termo de posse já assinado por ela, dias antes da cerimónia se realizar, para ele usar caso a sua prisão fosse decretada por Moro.

Além de Dilma e de Lula, Rodrigo Janot vai pedir igualmente a abertura de investigação contra o actual ministro da Educação, Aloízio Mercadante, por, na altura em que era ministro da Casa Civil de Dilma, ter tentado aliciar Delcídio e outros envolvidos no escândalo da Petrobrás, oferecendo-lhes dinheiro para não contarem o que sabiam. Noutro desdobramento das investigações, o líder da Oposição, Aécio Neves, também vai ter de se explicar, não por envolvimento nos desvios na Petrobrás, mas por um esquema semelhante descoberto na empresa Furnas Centrais Eléctricas, onde o opositor tinha influência política. 

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