Protestos contra Nicolás Maduro alastram a todo o país
Pelo menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e a polícia.
Apesar dos apelos à calma feitos pela oposição, a revolta popular contra a anunciada vitória de Nicolás Maduro nas presidenciais venezuelanas continua a alastrar, com dezenas de milhares de pessoas a saíram às ruas de Caracas e outras cidades para denunciarem a alegada fraude eleitoral. Pelo menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e a polícia e três dirigentes da oposição, incluindo o líder do partido Vontade Popular, Freddy Superlano, foram detidos.
“Já conhecemos este filme e sabemos como lidar com ele”, afirmou Maduro sobre os protestos, enquanto o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, acusou a oposição de “tentativa de golpe de Estado” e garantiu que as Forças Armadas “não permitirão uma repetição dos terríveis eventos de 2014, 2017 e 2019”, quando centenas de pessoas morreram em protestos contra o regime chavista.
Pela primeira vez, os protestos em Caracas contaram com muitas pessoas - principalmente jovens - provenientes dos bairros pobres da periferia, que até agora tinham sido o principal bastião de apoio a Maduro. As manifestações começaram de forma pacífica, mas acabaram em confrontos com as forças de segurança e grupos de apoiantes chavistas. Pelo menos duas das vítimas foram mortas a tiro, segundo fontes locais. Em várias cidades foram derrubadas estátuas de Hugo Chávez, antecessor e mentor de Maduro, num protesto simbólico contra o regime.
A oposição disse esta terça-feira ter em seu poder atas referentes a 73% dos círculos eleitorais que provam que o seu candidato, Edmundo González, teve pelo menos 6,2 milhões de votos, mais do dobro dos 2,7 milhões de Maduro. “Edmundo González é o Presidente eleito. Maduro tem de entender que foi derrotado”, disse a líder da oposição, María Corina Machado.
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