PSICÓLOGA LOUCA MATA COM MÁSCARA DE GRITOS
Podia ser um filme, mas infelizmente é realidade. Uma psicoterapeuta louca, envergando uma máscara inspirada na série de filmes de terror ‘Gritos’ (‘Scream’), matou à queima-roupa um completo desconhecido quando tentava assassinar a nova namorada do ex-amante.
A perseguição ao casal e os sinistros planos do homicídio fazem de Heather Stephenson-Snell, de 46 anos, uma assustadora cópia real da personagem da amante enlouquecida do filme ‘Atracção Fatal’.
Conhecida como ‘a assassina do grito’ – por causa da máscara que usava no dia do crime – Snell foi capturada após o crime quando conduzia a velocidade demasiado lenta na auto-estrada. Na terça-feira, em Manchester, foi condenada a prisão perpétua, devendo cumprir um mínimo de 22 anos de prisão efectiva.
Mas isso foi apenas o fim do pesadelo que em Novembro de 2003 ceifou a vida de Robert Wilkie, vizinho da mulher que era o verdadeiro alvo do crime. Wilkie foi baleado no estômago quando tentava tirar a máscara à assassina.
Tudo começou quando Adrian Sinclair, de 44 anos, abandonou Snell, de quem era amante há alguns meses. Cega de ciúme, a terapeuta bombardeou com telefonemas os amigos do ex-amante para saber o nome da sua nova namorada.
Quando soube tratar-se de Diane Lomax, de 38 anos, mãe de duas crianças, começou uma série de ameaças que culminou numa tentativa fracassada para culpar o casal de actos pedófilos e para convencer a Polícia de que era ameaçada de morte pelo antigo amante.
SANGUE NO ‘HALLOWEEN’
Este esquema falhou e Snell elaborou então um plano para assassinar Diane e lançar as culpas sobre o ex-amante. Estudou a casa da rival, detalhando rotas de fuga. Alugou carros de recurso, um deles em nome de Sinclair, e, acima de tudo, escolheu o dia perfeito para usar uma máscara sem despertar suspeitas: o “Halloween”.
Envergando a máscara do “Grito”, do pintor Edvard Munch, coberta dos pés à cabeça por um lençol branco e armada com uma caçadeira de cano serrado, a terapeuta louca bateu à porta de Diane e exigiu que lhe desse entrada. Quando esta recusou, gritou e ameaçou, criando um tumulto que levou o vizinho, Wilkie, a sair à rua para saber o que se passava. Foi então que o ex-comando foi baleado, depois do que a assassina entrou em fuga.
TRATAVA DOENTES MENTAIS
O crime torna-se mais sinistro por ter sido cometido por uma profissional especializada em tratar doentes mentais. Mas, como o tribunal apurou, a psicoterapeuta sofre ela mesma de um distúrbio da personalidade, manifesto numa obsessão por armas – tinha uma impressionante colecção de facas – e num modo de vida e fantasias violentos – vivia numa casa-fortaleza, murada e gradeada com arame farpado e guardada por dois cães ‘Rotweiler’.
Na leitura da sentença, o juiz Wakerley salientou “que o crime foi fruto de um comportamento obsessivo” e que “as mentiras e falta de sentimento” demonstrada ao longo do julgamento provam “a inexistência de remorso” na assassina.
Para Simon Barraclough, detective que investigou o crime, Snell é “uma das pessoas mais estranhas” que já conheceu e a sua condenação a pelo menos 22 anos de prisão efectiva retira das ruas “uma mulher muito perigosa”.
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