“Quero morrer como um mártir”
O alegado arquitecto do 11 de Setembro e quatro dos seus cúmplices enfrentaram ontem pela primeira vez o tribunal marcial de Guantanamo. Interrogado pelo juiz, Khalid Sheikh Mohammed respondeu com versículos do Corão e rejeitou a assistência dos advogados, acrescentando que Alá lhe basta. Alertado sobre o risco de ser condenado à morte, respondeu: "É o meu desejo. Há muito que quero morrer como mártir."
"Não vou aceitar advogados, farei a minha defesa", afirmou Khalid Sheikh, salientando que as confissões apresentadas ao tribunal foram obtidas "sob tortura". "Isto é a inquisição. Não é um julgamento", afirmou.Numtestemunholido em audiência judicial em Março de 2007, Khalid Sheikh confessou inteiraresponsabilidadepeloplaneamento e execução dos atentados de 2001 em Nova Iorque e em Washington e ainda pela decapitação do jornalista norte-americano Daniel Pearl. Os outros acusados em julgamento são Ramzi Binalshibh, iemenita conhecido como o 20º suicida do 11 de Setembro e alegado intermediário entre os suicidas e os líderes da al-Qaeda, Ali Abdul Aziz Ali, sobrinho de Khalid que terá angariado fundos para o atentado, Mustafa al-Hawsawi, outro angariador, e Walidbin Attash, que terá treinado os suicidas.
Asessãodeontemsódeverá tercontinuidadeemSetembro, altura do verdadeiro arranque dos julgamentos.IstoseoSupremo Tribunal, que no final de Junho sepronunciasobreosdireitos dos presos, não inviabilizar todo oprocesso,consideradopelos críticosumautênticoburaco negro legal.
SAIBA MAIS
Guantanamo
Base naval dos EUA em Cuba, com três campos de detenção: Delta, Iguana e X-Ray (já encerrado).
270
Número aproximado de presos.
Combatentes inimigos
Os detidos foram classificados por Washington como "combatentes inimigos" e não "prisioneiros de guerra" para não terem direito à protecção das leis da Convenção de Genebra.
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