Rede elétrica em Cuba já funciona e eletricidade volta lentamente para milhões de cubanos
Ilha, com 9,6 milhões de habitantes, está sujeita há mais de dois anos a cortes massivos recorrentes, alguns dos quais afetaram a totalidade da ilha.
A rede elétrica cubana está ligada desde a madrugada desta quinta-feira, após uma nova falha que afetou dois terços do território do país e cerca de seis milhões de cubanos, principalmente devido à falta de combustível, segundo as autoridades.
A produção de energia da ilha é especialmente afetada pela interrupção, sob pressão dos Estados Unidos, das entregas de petróleo venezuelano.
O centro e o oeste do país, incluindo a capital, Havana, e os seus 1,7 milhões de habitantes, estavam sem eletricidade desde quarta-feira ao meio-dia, após uma falha parcial na rede devido a um desligamento "inesperado" da central elétrica Antonio Guiteras, a principal da ilha.
"Às 05:01 (10:01 GMT) desta manhã, o sistema elétrico nacional (SEN) está interligado desde Guantánamo até Pinar del Rio", as duas províncias do extremo leste e oeste da ilha, informou o Ministério da Energia e Minas na rede social X.
"A incorporação de unidades de geração [elétrica] continua" para que a eletricidade chegue à população, acrescentou.
Vários bairros de Havana já tinham eletricidade esta quinta-feira de manhã, mas a reposição é lenta, constataram os jornalistas da AFP no local, devido sobretudo à fraca geração elétrica.
As autoridades cubanas esclareceram que, se a falha da principal central elétrica do país "foi o detonador" do corte maciço, "a causa fundamental (...) é a fraqueza do sistema elétrico, devido à falta de combustível" para alimentar os grupos geradores que suportam a produção elétrica.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, está sujeita há mais de dois anos a cortes massivos recorrentes, alguns dos quais afetaram a totalidade da ilha, por vezes durante vários dias.
Esta nova falha ocorreu, no entanto, num contexto particularmente tenso. A crise energética aguda que afeta a ilha coincide com o aumento das tensões com os Estados Unidos.
Para além dos cortes gigantes e regulares de energia, a população sofre de racionamentos diários muito longos.
Estes pioraram, após a captura em janeiro passado, pelas forças americanas do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Esta crise marcou o fim dos envios de petróleo venezuelano para Cuba, sob pressão de Washington.
Assim, a capital cubana tem enfrentado, nos últimos dias, cortes de energia superiores a 15 horas, que podem durar mais de um dia no interior.
Nenhum navio carregado de petróleo entrou oficialmente em Cuba desde 9 de janeiro, o que obrigou as autoridades a tomar medidas drásticas de racionamento e reorganização das atividades económicas e sociais.
Para justificar a sua política, Washington invoca uma "ameaça excecional" que Cuba, ilha das Caraíbas situada a apenas 150 quilómetros das costas da Flórida, representaria para a segurança nacional americana.
Em resposta, o Governo cubano acusa Donald Trump de querer "asfixiar" a economia da ilha comunista, sob embargo americano desde 1962 e que sofreu nos últimos anos um reforço das sanções americanas.
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