Risco de novas cheias aumenta terror no Nepal

Caudal do rio voltou a subir durante a madrugada, fazendo temer nova enxurrada mortal.

31 de agosto de 2026 às 01:30
Imagens de drone mostram a destruição causada pela enxurrada Foto: Rajeshkumar Singh/AP
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Enquanto prosseguem as buscas por sobreviventes e a contagem dos desaparecidos teima em não baixar, o medo permanece no olhar de quem vive perto das zonas afetadas pelas enxurradas no Nepal. “Hoje de manhã acordei e disseram-me que havia mais uma cheia rápida. Eu e as crianças e os vizinhos corremos para uma zona alta”, diz-nos Sarita. O ar de aflição intercalado pelo sorriso simpático reflete o que lhe vai na alma: “medo”. Ao lado tem o vizinho Sushant, de dez anos. Usa com orgulho a camisola da selecção nacional portuguesa, o número 7. “Ronaldo é o melhor jogador do mundo”, afirma com a voz bem alta e faz o gesto mundialmente conhecido do craque português. São as pequenas fugas para um povo que vive paredes-meias com o rio traiçoeiro.

Choveu muito durante a noite e houve mesmo um aumento do caudal dos rios que destruiu algumas infraestruturas que resistiram à primeira enxurrada. “Aqui morreu a minha sogra e amigos”, conta-nos um dos moradores de Tirsuli. O relato repete-se, basta andar uns passos: “Morreram aqui alguns amigos meus. Eu consegui fugir”, diz Hari. Ouviu o som assustador da enxurrada e só teve tempo de correr. “Não pensei que conseguisse fugir. Foi um milagre. Eu gosto de filmar os momentos mas corri apenas. Não consegui sequer parar”, recorda.

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Os números oficiais confirmam 797 mortos mas no terreno fala-se em muito mais de 800. Há mais de 3 mil desaparecidos e os desalojados são muitos milhares. Alguns já conseguiram voltar para casa de helicóptero, mas sem saber o que vão encontrar.

Numa das cidades da região de Tirsuli um banco foi inundado e agora é um escombro debaixo da lama. Durante este domingo, maquinaria pesada conseguiu destruir uma parede. O objetivo era chegar ao cofre que ficou debaixo de lama. O dinheiro (e outros bens preciosos) saíram em sacos brancos, com um guarda a garantir a segurança.

Noutro ponto, um grupo de pessoas está preso num túnel de grandes dimensões. As autoridades estão numa corrida contra o tempo para os tentar resgatar, porque com os dias a passarem as probabilidades de sobrevivência diminuem.

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