Rivais republicanos enterram diferenças e apelam ao voto em Trump "a bem da América"
Nikki Haley e Ron DeSantis, adversários do candidato nas primárias, estiveram ao lado do ex-presidente.
Os principais rivais de Donald Trump nas primárias republicanas, Nikki Haley e Ron DeSantis, manifestaram na terça-feira à noite “total apoio” ao candidato do partido às presidenciais, numa demonstração de união que marcou o segundo dia da Convenção Republicana.
“Quero deixar uma coisa perfeitamente clara: Donald Trump tem o meu apoio total, ponto final”, sublinhou Haley, que foi recebida na convenção com um coro de assobios e apupos. A antiga embaixadora dos EUA na ONU, que foi a última candidata a desistir das primárias e fez duras críticas a Trump durante a campanha, dizendo, inclusive, que “não tinha condições para ser Presidente”, admitiu que nem sempre está de acordo com o ex-Presidente, mas a sua vitória é necessária “para bem da América”. “Não temos de concordar com Trump a cem por cento para votar nele, olhem para mim”, afirmou.
Já o governador da Florida, Ron DeSantis, que ficou em terceiro lugar nas primárias, teve uma receção bem mais calorosa, tendo exortado o partido a unir-se em redor do candidato republicano à Casa Branca. “Não podemos deixá-lo ficar mal, nem podemos deixar a América ficar mal”, afirmou, antes de lembrar a avançada idade do Presidente, Joe Biden. “Precisamos de um comandante-em-chefe capaz de liderar 24 horas por dia, sete dias por semana”, sublinhou.
O segundo dia da convenção contou ainda com a participação de outros antigos adversários de Trump, incluindo os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, derrotados nas primárias de 2016, numa clara demonstração do domínio total do ex-Presidente sobre o partido.
A Convenção termina esta noite com o aguardado discurso de Trump, que prometeu “unir a América e o Mundo” na sequência do atentado de que foi alvo no passado sábado.
Nomeação de Vance preocupa UE e Kiev A escolha da J.D. Vance como candidato a ‘vice’ de Trump fez aumentar a preocupação na Europa sobre a continuação do apoio dos EUA à Ucrânia no caso de o ex-Presidente vencer as eleições. O senador do Ohio foi um dos principais opositores da ajuda militar norte-americana a Kiev e já deixou claro várias vezes que a guerra na Ucrânia não deve ser uma prioridade dos EUA. “Não me interessa nada o que possa acontecer à Ucrânia”, chegou a afirmar na véspera da invasão russa. Vance defende ainda que a Ucrânia deve ser forçada a negociar a paz com a Rússia e que a Europa deve ser responsável pela sua própria defesa em vez de estar dependente dos EUA. “A nomeação de Vance é má para a Europa, mas é terrível para a Ucrânia. Vance não é nosso aliado”, disse esta semana uma diplomata europeu.”
Donald Trump defendeu numa entrevista que Taiwan “deve pagar pela sua defesa”. “Eles não nos dão nada”, afirmou.
Rússia e o mal menor
O porta-voz do Kremlin disse na quarta-feira que a presidência de Trump não trouxe “nada de bom para a Rússia”, “mas ao menos havia diálogo”.
O democrata Adam Schiff apelou à desistência de Biden, avisando que a vitória de Trump “vai destruir os fundamentos da democracia”.
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