Rússia e Bielorrússia chegam a acordo para força conjunta face a possível ataque ucraniano

Líder bielorrusso disse que a Rússia participará na força conjunta com apenas cerca de mil efetivos.

10 de outubro de 2022 às 14:04
Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin Foto: Reuters
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O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, acusou, esta seguda-feira, a Ucrânia de estar a preparar-se para atacar a Bielorrússia e anunciou o destacamento de uma força conjunta com tropas russas na fronteira com a Rússia.

"Devido ao agravamento da situação nas fronteiras ocidentais da União [russo-bielorrussa], concordámos em destacar um agrupamento regional da Federação Russa e da República da Bielorrússia", disse Lukashenko, citado pela agência noticiosa estatal Belta.

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Numa reunião com os chefes militares no Centro de Gestão Estratégica do Ministério da Defesa bielorrusso, Lukashenko disse que a formação da força conjunta decorre dos acordos bilaterais de defesa com a Rússia.

"Devo informar-vos que a formação deste grupo já começou. Está a decorrer há, penso eu, dois dias. Dei uma ordem para começar a formar este grupo", afirmou.

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O líder bielorrusso disse que a Rússia participará na força conjunta com apenas cerca de mil efetivos, porque "já tem problemas suficientes".

"Por favor, preparem-se para acolher estas pessoas em breve e acomodá-las onde for necessário, de acordo com o nosso plano", ordenou aos responsáveis pela defesa do país.

Lukashenko e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mantiveram um encontro bilateral à margem da cimeira informal da Comunidade de Estados Independentes, realizada na cidade russa de S. Petersburgo, na sexta-feira.

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Lukashenko disse aos seus chefes militares que foi alertado, no domingo, por "canais não oficiais", para um ataque contra a Bielorrússia "a partir do território da Ucrânia".

"Disseram-nos que seria a Ponte da Crimeia 2", afirmou, numa alusão à explosão que danificou, no sábado, a ponte que liga a Rússia à península ucraniana anexada em 2014, que Moscovo atribuiu a um ataque terrorista ucraniano.

"A minha resposta foi simples: diga ao Presidente da Ucrânia e a outras pessoas insanas, se ainda lá estiverem, que a Ponte da Crimeia será o fim da linha para eles se tocarem num único metro do nosso território com as suas mãos sujas", disse, citado pela Belta.

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"Esta é a vossa responsabilidade, considerem isto uma ordem", disse Lukashenko aos chefes militares e de segurança, prometendo uma "resposta decente a qualquer inimigo".

"Há décadas que nos preparamos para isso", afirmou, citado pela agência oficial bielorrussa.

Lukashenko questionou ainda o motivo de a Ucrânia alegadamente pretender abrir uma segunda frente da guerra na fronteira com a Bielorrússia, que considerou ser "uma loucura do ponto de vista militar".

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"O processo já começou. Estão a ser empurrados pelos seus patrões para desencadear uma guerra contra a Bielorrússia, a fim de nos atrair e lidar com a Rússia e a Bielorrússia de uma só vez", disse.

As declarações de Lukashenko foram divulgadas no dia em que a Rússia bombardeou várias regiões da Ucrânia, incluindo a capital, Kiev, provocando dezenas de mortos e feridos.

A Bielorrússia apoiou a invasão da Ucrânia, lançada pela Rússia em 24 de fevereiro deste ano.

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