Rússia pondera rever cooperação com NATO

O embaixador russo junto da NATO considerou esta segunda-feira que a ausência de reacção da Aliança face à declaração do Kremlin sobre o escudo de defesa antimíssil norte-americano pode levar à revisão da cooperação com a organização. <br/>

28 de novembro de 2011 às 11:54
Rússia, NATO, Kremlin, presidente russo, Dmitri Medvedev, escudo de defesa antimíssil Foto: d.r.
Partilhar

"Se os nossos parceiros não reagirem aos riscos e ameaças previsíveis e proporcionais da declaração, teremos de reanalisar questões das relações com os nossos parceiros noutros sectores", declarou Dmitri Rogozin.

"Uma delas poderá ser o da cooperação relativamente ao Afeganistão", acrescentou Rogozin, que participava na conferência ‘Iniciativas estratégicas do Presidente da Rússia para garantir a segurança russa e a estabilidade internacional’.

Pub

Na semana passada, o presidente russo, Dmitri Medvedev, ameaçou que, em caso de desenvolvimento desfavorável para a Rússia do sistema de defesa antimíssil europeu, Moscovo reserva-se ao direito de não dar novos passos no campo do desarmamento e do controlo de armamentos.

Medvedev anunciou que os mísseis balísticos russos serão equipados de forma a superarem o sistema de defesa antimíssil e que as Forças Armadas russas deverão, em caso de necessidade, tomar medidas para destruir os meios de informação e controlo da defesa antimíssil norte-americana.

"Se os meios enumerados não forem suficientes, a Rússia instalará no Ocidente e no Sul do país sistemas modernos ofensivos de armamentos que garantirão a destruição da componente europeia do sistema de defesa antimíssil. Um desses passos será a instalação de mísseis ‘Iskander’ na região de Kalininegrado", acrescentou.

Pub

Como a NATO não respondeu ao ultimato do Kremlin, este reagiu agora utilizando o incidente ocorrido na véspera no Paquistão, onde a aviação da Aliança bombardeou um posto de controlo das tropas paquistanesas, matando 24 militares.

Analistas russos consideraram que se as relações entre o Paquistão e os Estados Unidos se deteriorarem, poderá aumentar sensivelmente o papel da Rússia como corredor de passagem de armamentos e soldados da NATO para o Afeganistão.

Este corredor atravessa também o Uzbequistão e Quirguistão, países que poderão ser utilizados na política de pressão russa sobre os Estados Unidos e NATO.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar