Rússia pondera rever cooperação com NATO
O embaixador russo junto da NATO considerou esta segunda-feira que a ausência de reacção da Aliança face à declaração do Kremlin sobre o escudo de defesa antimíssil norte-americano pode levar à revisão da cooperação com a organização. <br/>
"Se os nossos parceiros não reagirem aos riscos e ameaças previsíveis e proporcionais da declaração, teremos de reanalisar questões das relações com os nossos parceiros noutros sectores", declarou Dmitri Rogozin.
"Uma delas poderá ser o da cooperação relativamente ao Afeganistão", acrescentou Rogozin, que participava na conferência ‘Iniciativas estratégicas do Presidente da Rússia para garantir a segurança russa e a estabilidade internacional’.
Na semana passada, o presidente russo, Dmitri Medvedev, ameaçou que, em caso de desenvolvimento desfavorável para a Rússia do sistema de defesa antimíssil europeu, Moscovo reserva-se ao direito de não dar novos passos no campo do desarmamento e do controlo de armamentos.
Medvedev anunciou que os mísseis balísticos russos serão equipados de forma a superarem o sistema de defesa antimíssil e que as Forças Armadas russas deverão, em caso de necessidade, tomar medidas para destruir os meios de informação e controlo da defesa antimíssil norte-americana.
"Se os meios enumerados não forem suficientes, a Rússia instalará no Ocidente e no Sul do país sistemas modernos ofensivos de armamentos que garantirão a destruição da componente europeia do sistema de defesa antimíssil. Um desses passos será a instalação de mísseis ‘Iskander’ na região de Kalininegrado", acrescentou.
Como a NATO não respondeu ao ultimato do Kremlin, este reagiu agora utilizando o incidente ocorrido na véspera no Paquistão, onde a aviação da Aliança bombardeou um posto de controlo das tropas paquistanesas, matando 24 militares.
Analistas russos consideraram que se as relações entre o Paquistão e os Estados Unidos se deteriorarem, poderá aumentar sensivelmente o papel da Rússia como corredor de passagem de armamentos e soldados da NATO para o Afeganistão.
Este corredor atravessa também o Uzbequistão e Quirguistão, países que poderão ser utilizados na política de pressão russa sobre os Estados Unidos e NATO.
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