Sair à rua em Nice para rejeitar o medo
Centenas de pessoas deixaram flores e velas junto ao local do ataque.
Depois do massacre e do terror da noite de quinta-feira, os franceses saíram ontem de casa para resistir ao medo. Com flores, velas, mensagens e muitas bandeiras, juntaram-se junto ao Passeio dos Ingleses para dizer não ao terrorismo e prestar homenagem às vítimas do bárbaro ataque que deixou França, mais uma vez, de luto.
Centenas de pessoas de várias nacionalidades participaram nas homenagens. De lágrimas nos olhos e de telemóveis nas mãos para partilhar o momento nas redes sociais, foram deixando mensagens contra o terrorismo e a barbárie. O hino nacional francês, ‘A Marselhesa’, foi ouvido várias vezes durante a tarde junto ao local onde morreram pelo menos 84 pessoas. Havia familiares, amigos e conhecidos das vítimas, mas acima de tudo pessoas unidas como nação para dizer não ao terror.
Entre a multidão que se juntou durante todo o dia junto ao Passeio dos Ingleses estavam muitos portugueses e lusodescendentes. Joan Martins, um imigrante luso-venezuelano, escolheu Nice para viver há duas semanas. Ainda pouco ambientado à cidade, decidiu ir ver o fogo de artifício e participar na festa. Mal sabia que teria a vida por um fio poucos minutos depois. Viu o camião a chegar, desgovernado. Foi a tia quem o salvou. Puxou-lhe um braço e arrastou-o pela rua. O camião passou a pouco mais de cinco metros.
"Depois de ver o fogo de artifício, ouvi gritos, vejo um camião em ziguezague, e foi a minha tia que me puxou pelo braço. Vi duas pessoas a serem mortas. Era um cenário impressionante. Não há palavras para descrever o som das pessoas a caírem no chão", contou, certo de que nunca irá esquecer o cenário de horror que presenciou.
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