‘Santa Johanna’

A Islândia foi atingida com especial dureza pela crise económica mundial. As falências sucessivas de bancos foram seguidas por manifestações maciças. O governo de Geir Haarde, responsabilizado pelo caos financeiro, cedeu após quase 16 semanas de protestos e um novo rosto surgiu este mês para liderar um governo interino.

07 de fevereiro de 2009 às 00:30
‘Santa Johanna’ Foto: Ómar Óskarson
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Johanna Sigurdardóttir, ex-ministra da Segurança Social, é o primeiro caso em todo o Mundo de um homossexual assumido na chefia do governo. Mas, embora seja agradável para os islandeses fazer história por algo melhor que falências, a razão para a sua escolha nada teve a ver com a orientação sexual, até porque na Islândia a homossexualidade é encarada de forma mais natural do que na generalidade dos países europeus.

Aspecto mais relevante para a nomeação, num momento tão delicado, foi a popularidade de Sigurdardóttir. Apesar de integrar o governo de Haarde, manteve a mais alta taxa de credibilidade entre os políticos do país. Segundo as sondagens, entre 60 a 73% dos islandeses confiam nela.

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Aos 67 anos, é uma veterana da política, à qual chegou após mais de uma década nas lutas sindicais. Foi eleita para o Althingi (Parlamento islandês) em 1978 e, 31 anos e várias reeleições depois, tornou-se a deputada há mais tempo no activo. Pelo caminho participou em inúmeros comités parlamentares e foi vice-presidente do Althingi (1979, 1983-84, 2003-07). Integrou ainda quatro governos sucessivos como ministra da Segurança Social (1987-1994), cargo a que regressou em 2007.

Conhecida como determinada e inflexível, é recordada como a ministra que recusou os serviços de um condutor e carro de luxo pagos pelos contribuintes, preferindo, em vez disso, continuar a guiar o seu pequeno Mitsubishi pelas ruas de Reiquejavique. Conquistou definitivamente o carinho dos islandeses por causa da defesa persistente dos direitos dos deficientes, dos idosos e desfavorecidos, algo que lhe valeu a alcunha de ‘Santa Johanna’.

Em 1994, devido a desentendimentos com a chefia do Partido Social-Democrata, tentou chegar à liderança, e falhou, o que a levou a demitir-se e a formar um novo partido, o Thjodvaki (Despertar da Nação). As palavras que pronunciou antes de partir tornaram-se proverbiais na Islândia: "Minn tími mun koma!" ("O meu tempo há-de chegar!").

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Johanna por certo não desejaria ter a sua oportunidade num quadro tão desfavorável. Mas, por outro lado, que momento mais adequado poderia imaginar-se para a ‘entronização’ de uma santa?

CASADA COM UMA ESCRITORA

Em 2002 Johanna Sigurdardóttir oficializou, em cerimónia civil, a ligação com Jonina Leosdóttir (10 anos mais nova), uma jornalista, escritora e dramaturga premiada. A ligação das duas mulheres começou depois de Johanna se divorciar do banqueiro Torvaldur Johannesson, de quem teve dois filhos. Johanna nunca falou publicamente da sua sexualidade e não comparece em actos oficiais com a companheira.

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A FIGURA

Johanna Sigurdardóttir nasceu em Reiquejavique (1942), cidade onde se formou na Escola Comercial. Foi hospedeira durante nove anos e membro do sindicato de pessoal de bordo. Trabalhou depois como funcionária comercial antes de seguir as pisadas do pai (deputado entre 1959 - 71) e ser eleita deputada (1978).

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