Segundo partido deixa base de apoio a Temer

PSB anunciou saída na noite deste sábado.

Michel Temer, Presidente da República do Brasil Foto: EPA
Michel Temer Foto: Reuters
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O Partido Socialista Brasileiro, PSB, que fazia parte da coligação que apoia o presidente Michel Temer, anunciou na noite deste sábado o seu rompimento com o governo. O PSB, que tem um ministro, o de Minas e Energia, cuja situação ainda não está clara, é o segundo partido governamental a deixar a base de apoio ao presidente.

Depois de várias horas de reunião em Brasília, a Comissão Executiva Nacional do partido anunciou oficialmente o rompimento e defendeu abertamente que Temer se demita, para evitar o prolongamento da gravíssima crise desencadeada na noite de quarta-feira após a divulgação de gravações e depoimentos que o comprometem incisivamente. Ainda de acordo com os dirigentes socialistas, o ministro Fernando Coelho não foi uma indicação do partido mas sim uma escolha pessoal de Temer, mas, se quiser continuar no governo, terá de se afastar do partido.

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O Partido Socialista é a quarta maior bancada do Senado, com sete senadores, e a sétima na Câmara dos Deputados, com 35 parlamentares. Num momento em que, mesmo antes do início da crise, Temer já encontrava bastantes dificuldades em obter os votos necessários para aprovar reformas altamente polémicas como a laboral e a da segurança social, a saída do PSB é uma baixa importante.

Um dia antes, na sexta, outro partido governamental, o PPS, Partido Popular Socialista, o mais à esquerda no executivo, já tinha rompido com o governo e passado para a oposição. O PPS tem apenas nove deputados, mas tinha dois ministros no governo do presidente Michel Temer, que tiveram posturas e destinos diferentes.

Roberto Freire, o principal líder do PPS, que era ministro da Cultura, demitiu-se e passou a defender a renúncia de Temer. Já Raul Jungmann, ministro da Defesa, pelo menos por enquanto decidiu permanecer no cargo, alegando que a sua saída de uma pasta tão nevrálgica num momento tão delicado poderia suscitar algum tipo de turbulência.

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Nos próximos dias, é esperado que outros partidos sigam o exemplo de PPS e PSB e rompam com o governo. São partidos pequenos na sua maioria, mas, somados, se a ruptura se confirmar, vão representar um duro revés para Temer.

A crise, a mais grave que o presidente enfrenta desde que assumiu o cargo em Maio do ano passado, foi deflagrada pela divulgação de gravações e depoimentos que o atingiram em cheio. Nas gravações, Temer surge aparentemente autorizando a compra do silêncio de testemunhas que poderiam comprometê-lo e concordando com suborno a juízes e promotores revelados na conversa pelo empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS, líder mundial na producção de proteína animal, e alvo de inúmeros processos e investigações por corrupção.

Quinta-feira, o Supremo Tribunal autorizou uma investigação contra Temer, que desde aí já fez dois discursos ao país, negou as acusações, reafirmou que não deixa o cargo e alegou que a gravação foi manipulada propositadamente para o incriminar. Peritos contratados pela imprensa confirmaram que a gravação parece ter interrupções, provocadas ou por manipulação intencional ou por má qualidade do equipamento, mas garantiram que nas partes realmente comprometedoras para o presidente não há qualquer interferência.

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