Seis portugueses mortos em queda de avião na Namíbia

Não há sobreviventes em acidente com aeronave que se despenhou na Namíbia, perto da fronteira com Angola e o Botswana. Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho e António José Seguro já lamentaram as mortes. (Atualizada às 03h45)

30 de novembro de 2013 às 09:12
acidente, avião, destroços, peritos, corpos Foto: D.R.
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Foram encontrados este sábado, a nordeste da Namíbia, os destroços do avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) desaparecido desde sexta-feira. Das 33 pessoas que seguiam a bordo da aeronave, pelo menos seis eram portuguesas e ninguém sobreviveu, segundo as autoridades locais.

Os destroços do avião foram encontrados num parque natural, o Bwabwata National Park, perto da fronteira com Angola e o Botswana (veja no gráfico). "O avião está em cinzas e não existem sobreviventes", contou à Reuters o comissário da polícia da Namíbia, Willy Bampton.

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Entre os portugueses está um empresário luso-brasileiro de Rio Maior, Sérgio Soveral, de 36 anos, dono das empresas Joluso e INVEPE, sediadas também na região centro do País.

Um outro empresário, de Estarreja, de 65 anos, do setor da construção civil e gruas, e o sobrinho, de 46 anos, estão entre as vítimas de nacionalidade portuguesa. António Soares Nunes e o sobrinho, António Silva Nunes, estavam a expandir os negócios da empresa Gruest em Moçambique. O seu regresso a casa estava previsto para este sábado de manhã.

José Carlos Soares, de 52 anos, antigo jogador de andebol do Sporting, é o quarto nome confirmado entre os portugueses vítimas deste trágico acidente. Em comunicado emitido no site oficial, o Sporting manifesta o seu voto de pesar pelo trágico acidente, endereçando as condolências aos familiares e amigos de todas as vítimas.

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Mais dois portugueses morreram no acidente. Luís Fernandes, de 40 anos, do Porto, estava em Maputo há dois anos. E Bernardo Soares, de 50 anos, era presidente da MSC Angola, empresa de transportes internacionais .

À CMTV, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, disse que as família de todas as vítimas de nacionalidade portuguesa foram contactadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Posteriormente, os nomes serão revelados publicamente, acrescentou o governante.

José Cesário adiantou ainda que Portugal está em "contacto permanente com as autoridades da Namíbia", através da encarregada de negócios da Embaixada portuguesa em Windhoek.

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Segundo as Linhas Aéreas de Moçambique, seguiam a bordo seis tripulantes (dois pilotos, três comissários de bordo e um técnico de manutenção) e 27 passageiros: cinco portugueses - que o secretário de Estado das Comunidades, João Cesário, atualizou para seis, já que Sérgio Miguel Pereira Soveral tem dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa) -, 10 moçambicanos, nove angolanos, um francês, um brasileiro e um chinês.

O avião acidentado foi fabricado no ano passado e estava "equipado com motores da General Electrica CFM34-10", avança a LAM em comunicado na sua página oficial. A aeronave começou a voar pela LAM a 17 de novembro de 2012 e até ao momento do acidente tinha realizado 2.905 horas de voo e 1.877 ciclos de aterragem.

Recorde-se que a LAM não tem permissão para voar no espaço europeu há dois anos, por motivos de segurança.

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CHUVA DIFICULTA RESGATE DAS VÍTIMAS

Gabriel Muthisse, ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, enfatizou que o sinistro aconteceu numa área de difícil acesso e as operações de busca encetadas pela Força Aérea da Namíbia depararam-se com chuvas torrenciais.

(Foto dos destroços do avião)

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"O acidente deu-se numa região remota de difícil acesso e que estava a ser fustigada por mau tempo e chuvas torrenciais. Os aparelhos de busca da Força Aérea não conseguiram visualizar o avião", sublinhou o ministro moçambicano dos Transportes e Comunicações.

O Governo moçambicano vai decretar luto nacional, "assim que as condições objetivas o justificarem", acrescentou o titular do pelouro dos Transportes e Comunicações de Moçambique.

AUTORIDADES ANGOLANAS CRIAM CENTRO DE CONTROLO E RESGATE

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As autoridades angolanas criaram um centro de controlo e resgate, no Aeroporto Nacional 4 de Fevereiro, em Luanda, para acompanhar o acidente com o avião das Linhas Aéreas Moçambicanas (LAM), disse este sábado à Lusa fonte da aeronáutica civil angolana.

Segundo o diretor-geral do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC), o centro está a ser coordenado pela diretora de Navegação Aérea de Angola, Bernardina Paiva. O voo TM470, em 'codeshare' com a angolana TAAG, fazia a ligação entre Maputo e Luanda.

LIGAÇÃO AÉREA MAPUTO-LUANDA NÃO FOI INTERROMPIDA (20h33)

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As Linhas Aéreas de Moçambique indicaram este sábado que a carreira Maputo-Luanda não foi interrompida com o desastre aéreo ocorrido na sexta-feira.

"A nossa operação não ficou interrompida com o acidente, mas fica afetada com a falta do avião que se despenhou", disse, em conferência de imprensa, a administradora-delegada das LAM.

Marlene Manave afirmou que a transportadora de bandeira moçambicana vai substituir o aparelho sinistrado, como forma de manter os três voos semanais entre Maputo e Luanda.

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"Os nossos voos para Luanda, às segundas, quartas e sextas-feiras, vão continuar, nada impede que continuem", ressalvou Marlene Manavane.

TRANSPORTADORA AFASTA POSSIBILIDADE DE LEVAR FAMILIARES AO LOCAL (19h20)

As Linhas Aéreas de Moçambique consideraram este sábado remota a hipótese de levar familiares das 33 vítimas do despenhamento de uma aeronave da transportadora ao local do sinistro, para o reconhecimento dos corpos, apontando dificuldades de acesso.

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Em conferência de imprensa este sábado em Maputo, a administradora-delegada das LAM, Marlene Manave considerou remota a possibilidade de a transportadora levar familiares das vítimas ao local do desastre, para ajudarem na identificação dos corpos.

"A possibilidade da ida dos familiares ao local do acidente foi colocada em conversa com os próprios familiares, mas o facto de a zona ser remota e de difícil acesso poderá fechar essa possibilidade", afirmou Marlene Manave.

A administradora-delegada das LAM adiantou que a equipa de peritos da empresa que seguiu este sábado para o local teve de ser transportada em duas aeronaves pequenas para conseguir chegar a um local de onde teve de percorrer uma longa distância de carro até ao local do sinistro.

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A transportadora de bandeira moçambicana contractou uma empresa britânica especializada em buscas para ajudar na identificação dos corpos, adiantou Marlene Manave.

QUEDA VERTIGINOSA FEZ DESAPARECER AVIÃO DO RADAR (19h27)

O avião das Linhas Aéreas Moçambicanas terá iniciado uma descida vertiginosa antes de embater no solo, informou uma página eletrónica especializada em desastres aeronáuticos, adiantando que o comandante do voo era um "piloto sénior".

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Num relatório preliminar sobre o acidente do voo TM-470 das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), na sexta-feira, na Namíbia, que vitimou 33 pessoas (27 passageiros e seis tripulantes), o sítio "The Aviation Herald" adianta que, antes de desaparecer do radar, a aeronave Embraer ERJ-190 iniciou, "de repente", uma descida a uma velocidade de cerca de 5.000 pés (1.500 metros) por minuto.

"Fontes de aviação informaram que, de acordo com dados do radar, o avião começou, de repente, a descer a cerca de 5.000 pés por minuto, até que desapareceu do radar", lê-se no relatório.

De acordo com a página eletrónica, que monitoriza incidentes com aeronaves, o comandante do avião "era um piloto sénior", que tinha mais de 4.000 horas de voo, e o copiloto cerca de 1.000 - contagens feitas ao serviço das LAM.

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GOVERNO PORTUGUÊS DISPONÍVEL PARA APOIAR (19h00)

O Governo português está disponível para apoiar as famílias das vítimas da queda do avião, tendo já disponibilizado ajuda também, se necessária, a Moçambique.

Em declarações à Agência Lusa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse que todas as famílias das seis vítimas portuguesas já foram contactadas, a quem o Governo expressa condolências, o que também já fez junto do ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi.

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Na tarde deste sábado, o ministro falou com o seu homólogo moçambicano, Oldemiro Baloi, a quem expressou condolências e se disponibilizou para prestar apoio, e também falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Georges Chikoti, "expressando também as condolências pelos angolanos que pereceram no acidente".

"Combinámos que prestaríamos, os respetivos governos, o auxílio que for considerado necessário", disse Rui Machete à Lusa.

O ministro esclareceu que todas as famílias dos seis portugueses mortos (todos homens) já foram contactadas e que todas estão em Portugal, e salientou que o Governo e em particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros "está à disposição para, logo que se conheça o plano que vai ser estabelecido pelas autoridades da Namíbia, prestar todo o apoio que for considerado necessário".

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"Aguardamos indicação do Governo da Namíbia para saber qual o plano em termos de recolha dos cadáveres e naturalmente estaremos a disposição das famílias portuguesas para o que se tornar necessário no que respeita à recuperação e depois ao repatriamento dos corpos", disse Rui Machete, acrescentando ainda que Portugal está disponível para ajudar se para tal for solicitado.

Também o Instituto Nacional da Aviação Civil já entrou em contacto com o seu homólogo moçambicano e disponibilizou os seus serviços, disse o ministro, salientando as naturais dificuldades que vão decorrer da zona de difícil acesso onde caiu o avião.

"Neste momento todos os postos consulares e embaixadas de Portugal em Moçambique, África do Sul, Namíbia e Angola estão em alerta para os serviços que forem necessários", disse Rui Machete.

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"VISÃO HORRÍVEL" DOS DESTROÇOS (18h21)

Um vigilante do Bwabwata National Park descreveu à agência Reuters o cenário horrível do local onde se despenhou a aeronave com destino a Luanda. "Os corpos estão espalhados por toda a parte. É uma visão horrível", disse o homem, que apenas se identificou pelo apelido Shinonge.

O vigilante disse ainda que as caixas negras do avião, incluindo o gravador de voz, foram encontrados e levados pelos investigadores.

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MÚSICO ANGOLANO ACTION NIGGA E LOCUTORA DE RÁDIO DADOS COMO MORTOS  (21h32)

O músico angolano Action Nigga estará entre as vítimas do acidente de avião. A informação ainda não está confirmada, mas no Facebook oficial do artista têm sido deixadas mensagens de homenagem ao cantor.

Vários jornais internacionais dão conta da morte de Action Nigga, que esteve em Maputo para  gravar um videoclipe com um cantor local.

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JD, o músico com quem Action Nigga esteve em Moçambique, publicou no Instagram uma fotografia com o cantor angolano, que terá sido uma das últimas antes de, alegadamente, ter morrido no acidente com o voo da LAM.

Sakyna Cassamo, de 24 anos, locutora de rádio, que fazia com frequência a viagem Maputo-Angola, é outra das dez vítimas mortais angolanas.  

SEGURO MANIFESTA "PROFUNDA TRISTEZA" (17h47)

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O líder do PS, António José Seguro, endereçou uma mensagem de condolências às famílias das vítimas e ao Estado moçambicano na sequência do acidente, manifestando "solidariedade" neste momento de "profunda tristeza".

"Em meu nome e em nome do Partido Socialista endereço às suas famílias e ao Estado Moçambicano as minhas sentidas condolências e partilho um sentimento de solidariedade neste momento de profunda tristeza", refere António José Seguro na mensagem de condolências divulgada na página do PS.

PASSOS COELHO APRESENTA "TODA A SOLIDARIEDADE" ÀS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS (16h16)

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O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apresentou este sábado "toda a solidariedade" às famílias das vítimas do acidente das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), na Namíbia, assegurando que as autoridades portuguesas prestarão "toda a assistência possível".

"Neste momento difícil quero apresentar a expressão de toda a minha solidariedade às famílias das vítimas e às autoridades moçambicanas. As autoridades portuguesas vão continuar a acompanhar a situação com vista a apurar o que se passou e também para prestar toda a assistência possível às famílias afetadas por este trágico acontecimento", lê-se numa nota do gabinete do primeiro-ministro enviada à agência Lusa.

Manifestando "profundo pesar" pelo ocorrido, Passos Coelho diz ter sido, "até ao momento", apurado pelos "serviços diplomáticos e consulares nacionais" que a bordo do avião acidentado "seguiam seis cidadãos portugueses, para além de cidadãos moçambicanos, angolanos e de outras nacionalidades".

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FABRICANTE DO AVIÃO VAI AJUDAR NAS BUSCAS (16h02)

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer anunciou que enviará uma equipa de técnicos para ajudar nas buscas após o acidente com a aeronave EMBRAER 190, operado pela LAM (Linhas Aéreas de Moçambique).

"Uma equipa de técnicos da Embraer está a preparar-se para ir ao local do acidente", afirmou a empresa em nota divulgada este sábado à imprensa.

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No comunicado, a companhia lamenta o acidente, ocorrido nessa sexta-feira, com o voo 470 da LAM, enviando as suas condolências às famílias das vítimas, à companhia moçambicana e garantindo apoio às autoridades policiais que atuam nas buscas.

A Embraer transmite os votos de pesar "às famílias das vítimas e a LAM neste momento de dor para todos os envolvidos", acrescentou a empresa.

GOVERNO DE ANGOLA E BRASIL CONFIRMAM MORTES (15h37)

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Os governos de Angola e do Brasil confirmaram este sábado a morte de nove angolanos e um brasileiro que seguiam no avião das Linhas Aéreas Moçambicanas (LAM) que se despenhou no norte da Namíbia.

Em declarações à Agência de Notícias de Angola (ANGOP), o primeiro secretário da embaixada de Moçambique em Angola, António Silva, confirmou a morte de nove cidadãos nacionais, mas disse ainda estar a aguardar informações adicionais sobre o desastre.

Entretanto, o governo brasileiro confirmou a presença de um brasileiro a bordo do avião da LAM, que transportava 33 pessoas. Trata-se de Sérgio Soveral.

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CRIADAS DUAS COMISSÕES DE INQUÉRITO PARA AVERIGUAR QUEDA (Atualizada às 15h56)

Duas comissões de inquérito, uma delas internacional, serão criadas em consequência da queda do avião das Linhas Aéreas de Moçambique. O anúncio foi feito em Maputo no final de um Conselho de Ministros extrardinário, convocado para este sábado este sábado para as 13h00 (11h00 em Lisboa) pelo Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, para avaliar a situação resultante da queda trágica do aparelho.

Foi decidida a criação de uma comissão de inquérito moçambicana, que contará com elementos da transportadora aérea e do Ministério dos Transportes e Comunicação, e outra internacional liderada pela Namíbia.

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"O governo tomou de imediato medidas destinadas a fazer o acompanhamento do acidente e apurar as suas causas. Uma comissão de inquérito foi constituída e juntar-se à comissão internacional de inquérito a ser liderada pela Namíbia, que é o país onde ocorreu o acidente", disse em conferência de imprensa, o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Gabriel Muthisse, no final da sessão extraordinária do Conselho de Ministros, convocada devido ao acidente.

Invocando as normas da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO), Gabriel Muthisse afirmou que a comissão de inquérito internacional será constituída pela Namíbia, Moçambique, como país proprietário do aparelho, e Brasil, como fabricante.

"As razões do acidente vão ser determinadas por equipas de peritos da comissão internacional de inquérito, que de acordo com as regras internacionais de aviação civil, deve ser constituída por pelo menos três partes: a principal é o país onde ocorreu o acidente, a segunda é o país de bandeira e a terceira parte é o país fabricante", afirmou Gabriel Muthisse.

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CAVACO SILVA ENVIA CONDOLÊNCIAS ÀS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS (12h43)

O Presidente da República enviou, este sábado, uma mensagem de condolências às famílias das vítimas do acidente do avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), na Namíbia, manifestando a sua "grande consternação" pelo ocorrido.

"Foi com grande consternação que tomei conhecimento da queda de um avião das Linhas Aéreas de Moçambique na Namíbia", diz Aníbal Cavaco Silva na mensagem de condolências, divulgada hoje no site da presidência.

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"É com profundo pesar que continuo a acompanhar os desenvolvimentos relacionados com este trágico acidente, na esperança de que a resposta das equipas de busca e salvamento permita trazer paz e tranquilidade a todas as famílias afetadas", acrescenta o Presidente da República, que apresenta às famílias portuguesas envolvidas a sua "muito sentida solidariedade".

A nota presidencial refere que serviços diplomáticos e consulares nacionais têm estado em contacto com as respetivas famílias e com as autoridades dos países envolvidos, com vista a seguir todos os acontecimentos de "forma muito próxima".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português revelou, em comunicado, que já foram contactados os familiares de quatro dos portugueses que viajavam no voo TM470, entre Maputo e Luanda, em 'codeshare' com a angolana TAAG.

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