Sensores de outros comboios já tinham detetado anomalias no local do carril partido que provocou tragédia em Espanha

Análise dos dados técnicos revelou parâmetros anómalos no mesmo ponto onde viria a ocorrer o descarrilamento.

23 de janeiro de 2026 às 17:41
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A investigação ao acidente ferroviário ocorrido no passado domingo no trajeto Madrid–Andaluzia revelou novos indícios que reforçam a hipótese de falha na infraestrutura ferroviária. De acordo com dados recolhidos pelos sistemas de monitorização de comboios que circularam antes do Iryo 6189, foram registadas anomalias no mesmo ponto onde viria a ocorrer o descarrilamento, na zona de Adamuz, em Córdova.

Os registos analisados dizem respeito a comboios que passaram pelo local durante a tarde do acidente. Embora os maquinistas não tenham comunicado qualquer irregularidade em tempo real à Adif, entidade gestora da infraestrutura, a análise posterior dos dados técnicos revelou parâmetros anómalos no comportamento de pelo menos um desses comboios, nomeadamente um da Renfe (principal operadora espanhola) que circulou antes do comboio da operadora italiana.

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Parte dos últimos carris do Iryo invadiu a via contrária, onde, segundos depois, circulava um Alvia da Renfe a cerca de 200 km/h. O embate provocou também o descarrilamento deste segundo comboio.

Desde os primeiros momentos, a investigação - conduzida pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), em conjunto com a Guardia Civil, Adif, Renfe, Iryo e vários fabricantes - centrou-se na rutura de um carril com mais de 30 centímetros no lado direito da via, por onde seguia o Iryo. Apesar de inicialmente classificada como especulativa, esta hipótese ganhou força após a identificação de marcas coincidentes com a fratura do carril em todas as rodas direitas do comboio até à sexta carruagem, bem como em comboios anteriores.

Esta nova linha de análise incidiu sobre os sensores instalados nos comboios modernos, que registam diversos parâmetros da marcha, incluindo irregularidades associadas ao estado da via. Estes sistemas detetaram comportamentos anómalos no ponto do acidente, o que constitui uma confirmação adicional da degradação da infraestrutura naquele troço.

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Ainda assim, o ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, sublinhou que subsiste uma questão central por esclarecer: determinar se o carril partido foi a causa direta do descarrilamento, uma consequência do mesmo, ou se houve uma combinação de ambos os fatores. Esta distinção será determinante para o apuramento de responsabilidades.

As conclusões finais do relatório técnico da CIAF vão ter impacto direto na eventual atribuição de responsabilidades a operadores ferroviários, fabricantes, ao gestor da infraestrutura Adif ou a empresas subcontratadas de construção e manutenção. 

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